Hannah Arendt foi uma filósofa política alemã, pensadora de grande influência do século XX. Entre as várias dezenas de obras publicadas está "A Condição Humana" (1958), que é um relato do desenvolvimento histórico da situação da existência humana, com brilhante análise que vai da Grécia Antiga até a Europa moderna. Considerando que a humanidade é condição e não natureza, podemos afirmar que as características que nos define enquanto tal são assimiladas por nós como elementos da nossa cultura.
Outro importante pensador, o Suíço Jean-Jacques Rousseau, que viveu no século XVIII e é considerado um dos principais filósofos do iluminismo, em sua obra "Do Contrato Social" considera que a perda da liberdade natural decorrente da nossa organização social deveria ser compensada por um contrato que garantisse a chamada "liberdade civil", que seria um mecanismo garantidor da segurança e bem estar.
Tomando o século XVIII como referência podemos afirmar com segurança que as organizações sociais se tornaram muito mais complexas. E como não poderia deixar de ser, a ideia de "humanidade" também.
Aparentemente somos mais humanos hoje do que o fomos no passado. As nações, através de seus líderes criaram mecanismos globais de defesa dos direitos humanos dos cidadãos.
Mas o que dizer quando líderes (humanos) de importantes nações levantam barreiras para impedir que refugiados (também humanos) adentrem em seus territórios em busca de ajuda? Ou quando constatamos que o interesse público perde, a passos largos, espaço para os interesses privados?
Hoje, espalhados por todo o planeta, mais de um bilhão de pessoas vivem com menos de US$ 2 por dia e são atingidos pela pobreza extrema. Estão concentrados principalmente na América Latina, Caribe, África e Ásia e são as principais vítimas das chamadas doenças tropicais negligenciadas (DTN). Apesar de todo progresso científico das últimas três décadas que gerou um aumento substancial na expectativa de vida, as DTN's são negligenciadas pela indústria farmacêutica
A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece 18 doenças como DTNs, entre elas a dengue que é a mais recorrente em nosso país. Se os donos das indústrias farmacêuticas (humanos) negligenciam a dor daqueles (também humanos) que sofrem com essas doenças, por onde caminha nossa humanidade?