O impeachment de Dilma Rousseff e as investigações da Polícia Federal contra Luiz Inácio Lula da Silva foram, sem dúvida, os fatos que mais influenciaram o voto das pessoas nas eleições para vereador e prefeito em todo o Brasil. No final da apuração, o que se viu foi uma das maiores derrotas do Partido dos Trabalhadores (PT) desde a sua criação. No Alto Tietê, nenhum prefeito petista conseguiu ser eleito ou sequer ter uma expressiva votação.
Para as Câmaras da região, o partido também contabilizou perdas significativas. De 12 foi para apenas cinco o número de parlamentares no Legislativo. Tantas derrotas estão atreladas ao desgaste de seus representantes maiores, como Lula, Dilma e José Dirceu. Sem credibilidade e respondendo a tantos processos, a população parece já não enxergar mais no PT uma esperança de desenvolvimento para o País.
Neste ponto em que chegamos, onde máscaras começaram a cair e, enfim, corruptos foram punidos pela Justiça, o que mais vale ser destacado é o poder da democracia. Para retirar Dilma da Presidência, deputados e senadores tiveram um longo e penoso trabalho, já que a ex-presidente teve todos os direitos de se defender das acusações, o que levou ainda mais tempo para o processo ser encerrado. No caso de Lula, as investigações não param e a cada mês uma nova denúncia surge contra o líder maior do PT. A verdade é que, com tantas irregularidades descobertas, seria um sofrimento continuar com tais políticos no comando das cidades brasileiras.
A crítica ao partido deve ser respeitosa, pois existem grandes exceções e políticos excelentes são petistas. Aliás, o primeiro mandato de Lula entrou para a história como um dos melhores de todos os tempos, onde o País viveu uma ótima fase de crédito fácil, distribuição de renda e inclusão social. Os mandatos seguintes dele e o primeiro de Dilma já começaram a mostrar uma das principais fraquezas entranhadas no partido: a corrupção. Petistas antigos abandonaram o partido, indignados com algumas situações e mudanças de postura.
Tanta confusão e atos desastrosos tiveram resultado nesta eleição. Talvez a única figura petista que é carismática da maioria das pessoas, muito mais por sua personalidade do que por seus projetos e atuações, é Eduardo Suplicy, que foi o candidato a vereador mais votado na capital paulista. Ainda assim, se pensarmos que ele saiu de um cargo de senador para se tornar vereador, a enorme vitória dele em São Paulo pode ser considerada uma derrota, talvez um pouco menos dolorida.