O serviço de transporte público no Brasil, de uma forma geral, é considerado ruim, uma vez que passageiros vivem a se queixar dos atrasos, das condições de ônibus e trens, dos terminais, das estações, do preços das passagens e, sobretudo, da lotação que é preciso enfrentar no dia a dia.
Não é difícil verificar como o País chegou a esta situação de completo caos: o processo de industrialização começou de forma tardia e bastante acelerada - cenário este típico de lugares subdesenvolvidos e ainda em desenvolvimento. Tal processo, que começou na década de 1950, motivou o crescimento desenfreado das cidades e, este exemplo, se encaixa perfeitamente ao Alto Tietê.
Parte da população encontrou dificuldade em se manter nas grandes cidades, devido ao alto custo de vida, o que faz com que esse público busque moradia em zonas mais afastadas dos grandes centros. Isso, somado à falta de investimento público em infraestrutura, é determinante para a insatisfação da populaçção do Alto Tietê em relação ao serviço oferecido. Usuários reclamam também da funcionalidade do painel eletrônico que fica instalado nos pontos de ônibus mais movimentados da cidade. Segundo muitos usuários, o equipamento, que tem a função de mostrar os horários que cada coletivo vai passar, não funciona de maneira correta, e vem mais atrapalhando do que ajudando a população.
Nesta semana, foi noticiada a insatisfação dos usuários de ônibus de Mogi das Cruzes. Superlotação, longo tempo de espera, mau estado de conservação dos ônibus, falta de acessibilidade e preço, foram algumas das principais reclamações. O assunto vem alcançando um nível tão crítico, que na sessão da Câmara de ontem a questão do atraso dos coletivos foi debatida. O tema será levado à Comissão de Transportes em uma tentativa de, ao menos, minimizar este problema.
E terminais e estações não escapam das reclamações. Em Ferraz de Vasconcelos, problemas de acessibilidade também foram alvo de reclamações. Embora o local seja equipado com escadas rolantes e elevadores, a falta de manutenção e falhas frequentes têm dificultado a vida de quem precisa utilizar os acessos, principalmente, pessoas com mobilidade reduzida. Problemas nos terminais de Itaquá e Suzano também já foram expostos neste jornal.
O assunto é complexo e envolve planos de mobilidade urbana bem elaborados, onde é preciso envolver a grande quantidade de carros que andam pelas ruas e uma maior integração das bicicletas, de forma mais segura do que a atual, no trânsito das cidades.