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No discurso em que abriu, ontem, a 71ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, o presidente Michel Temer reiterou o compromisso "inegociável" do Brasil com a democracia, citando, inclusive, o processo que resultou no impedimento da presidente Dilma Rousseff, feito, segundo ele, "dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional".
Temer abordou também conflitos internacionais, como o entre Israel e Palestina e a guerra da Síria. Segundo o presidente, em um mundo "ainda tão marcado por ódios e sectarismos, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio mostraram que é possível o encontro entre as nações em atmosfera de paz e harmonia".
O presidente elogiou também o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos e criticou o protecionismo agrícola patrocinado por diversos países. Sobre a atual situação política brasileira, pós-afastamento de Dilma, Temer disse trazer às Nações Unidas uma mensagem de compromisso inegociável do País com a democracia.
Temer aproveitou a oportunidade para convocar investidores estrangeiros a fazerem negócios com o Brasil. "Nosso projeto de desenvolvimento passa, principalmente, por parcerias em investimentos, em comércio, em ciência e tecnologia. Nossas relações com países de todos os continentes serão, aqui, decisivas."
O presidente enfatizou que o Brasil tem um Judiciário independente, um Ministério Público atuante e órgãos do Executivo e do Legislativo que cumprem seu dever. Ter uma autoridade brasileira abrindo a série de pronunciamentos de chefes de Estado e de governo na Assembleia Geral é uma tradição na ONU, iniciada em 1947 pelo diplomata brasileiro Osvaldo Aranha. A exemplo de discursos feitos por outros presidentes brasileiros, Temer reiterou a posição brasileira em defesa de uma reforma do Conselho de Segurança da entidade.
"As Nações Unidas não podem resumir-se a um posto de observação e condenação dos flagelos mundiais. Devem afirmar-se como fonte de soluções efetivas. O Brasil vem alertando, há décadas, que é fundamental tornar mais representativas as estruturas de governança global, muitas delas envelhecidas e desconectadas da realidade. Há que reformar o Conselho de Segurança da ONU", disse.
Protesto
O presidente da Costa Rica, Luis Guillermo Solís, abandonou o plenário da ONU, em protesto contra o governante brasileiro Michel Temer. A atitude foi seguida por delegados de Equador, Bolívia, Cuba, Nicarágua e Venezuela, que também deixaram o local.
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