Há pessoas que nos contagiam com a sua felicidade em diversas ocasiões.
Algumas já amanhecem saltitantes, cantando, saindo pelas ruas cumprimentando até o poste de luz que encontra a cada esquina.
Nos trilhos, ultimamente, a pessoa mais feliz que conheço é a voz do novo trem da série 8500.
Alguém já andou nesse trem? Gente, é contagiante a felicidade desse ser ao anunciar: "Bom diaaaaaaaa!!!!" - precisa ler assim mesmo esticando a letra A.
Ela nos tira daquele transe mecânico depois da luta sagrada do embarque, onde só temos atenção para o calo do dedinho latejante dentro do nosso sapato.
Anuncia as próximas estações como se fosse aquela que encontraríamos uma praia super paradisíaca:
- "Estação Dom Boscoooooooooooooooo".
Sempre esticando a última letra ao falar suas frases. Mulher marota essa! Ela realmente gostou de ser contratada para essa finalidade ou objetivo da CPTM foi exatamente esse: deixar um pouco de felicidade no trem nosso de cada dia.
E essa não é uma percepção só minha. Já conversei com várias pessoas e todas falam sobre essa animação existente em cada frase solta por essa mulher do trem da série 8500.
Acho que ela devia cantar também. Sempre imagino que durante o trajeto mais longo, sem paradas, entre Tatuapé e Itaquera, ela vai puxar um coro do tipo: "Ô maquinista, cadê você, eu vim aqui só prá te ver". E instigar o pessoal a cantar junto com ela. Já imaginou a cena? Pois é, eu já.
Acho que pelo menos esse trajeto tão lento tornar-se-ia menos penoso. Ou poderiam distribuir umas cartelas de bingo na entrada da estação e ao embarcarmos, ela poderia ir chamando as pedrinhas.
"Quaraquaquá - Número quarenta e quatro" - ela gritaria de sua cabine no CCO.
Vou propor isso para a CPTM. Será que eles topam?
O difícil é me ouvirem, mas a gente tenta, afinal, tudo o que puder fazer para nos distraírem durante o trajeto, melhor.
Se for com essa voz toda de felicidade, eu topo. Ao menos, me sentiria mais leve no meio daquela muvuca toda.