Reforma da previdência é um tema recorrente no Brasil por várias décadas. Ele apareceu desde a redemocratização e foi sendo deixado de lado. O aumento da longevidade dos brasileiros e o processo de redução da taxa de natalidade vêm provocando o envelhecimento da população, o que torna cada vez mais urgente o debate.
O governo Temer tem sinalizado com uma reforma que estabelece 65 anos como idade mínima para obtenção do benefício, pelo menos foi isso que o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, tornou público. Com isso, o tempo médio de recebimento do benefício ficaria em torno de 10 anos, já que a estimativa de vida média no Brasil é de 75,2 anos.
Quem a defende afirma que a redução do tempo médio de recebimento do benefício vai contribuir para o equilíbrio do caixa da previdência no longo prazo. O problema é que se observarmos os dados para além das médias estatísticas perceberemos que essa reforma carrega uma grave injustiça social. Como 75,2 anos é uma média estatística, não é difícil imaginar que teremos brasileiros recebendo benefícios de maior valor por muito mais do que a média de 10 anos, assim como também é verdade que parte dos trabalhadores apenas contribuíra sem receber nada ou receberá pouco por pouco tempo.
Sabemos que o Brasil é um pais desigual. E uma das consequências disso é a variação da expectativa de vida quando analisamos as diferentes regiões. Os 75,2 anos é uma média entre extremos que compreendem pessoas vivendo mais de 80 anos e menos de 65 anos. Critérios como renda, sexo, escolaridade, condições de vida e raça dividem as pessoas em grupos que vivem muito e grupos que vivem pouco.
A maior expectativa de vida para homens (75,1) e mulheres (81,8) está em Santa Catarina. Enquanto a menor para homens (66,2) é em Alagoas e para as mulheres (73,7) em Roraima.
O último Mapa da Desigualdade, da Rede Nossa São Paulo, mostra que a expectativa de vida entre bairros paulistanos pode variar em até 25 anos. Enquanto no Alto de Pinheiros o cidadão vive em média quase 80 anos, na Cidade Tiradentes essa média não chega aos 54 anos.Quem perde mais com a reforma?