A nação paga os tributos pela infame ditadura que a assaltou. Passados mais de 30 anos de seu término, o arbítrio alimentado pelas pontas das espadas, balas de canhões, infames masmorras, faz com que ainda nos ressintamos da falta de lideranças.
O próprio Lula, não fosse o odioso evento, por certo, seria lembrado, apenas, como combativo dirigente sindical.Homem certo, no lugar exato, amparado pelos companheiros de labor, conseguiu ao seu modo se opor aos tacões militares.
E, a ausência de nomes de peso a autorizar desejada mudança de rumos, tem permitido que vetustos senhores, como comum quando se vai nos anos, um tanto senis, se manifestem continuamente, dardejando absurdos em suas falas.
Refiro-me, mais especificamente, a Fernando Henrique, o antigo presidente que, diziam as manchetes, usou do dinheiro público para contratar mercenários deputados que lhe asseguraram a reeleição.O enigmático episódio - jamais por ele desmentido -, foi relegado às calendas, embora ainda pese sobre a sua biografia. Boquirroto, ou, quem sabe, tentando demonstrar que o seu momento de glória ainda não se findou, deixando de lado a nódoa, vem à mídia, criticar a outros que o sucederam - alguns até em falcatruas. Assim, desancou o pau no Senado, por, absurdamente, ter "fatiado" o impeachment de Dilma, ao mesmo tempo em que assinalou que, as motivações utilizadas para apeá-la do cargo foram "as mais bizarras", e apresentadas com o viés da obtenção de vantagens pessoais de legisladores.
Embora a contradição, bem ao seu estilo de não tomar posição segura, evidente que, pelo passado apontado, quando foi mestre em incidir no mesmo expediente, ao menos em relação às tramoias feitas nos tortuosos caminhos da política, sabe do que está falando.
Crise de consciência, ou autopenitencia?