O Governo Federal publicou na sexta-feira passada o texto da Medida Provisória (MP) sobre a reforma do ensino médio. Com a nova publicação, o Ministério da Educação (MEC) voltou atrás e manteve a obrigatoriedade de artes, educação física, filosofia e sociologia até que seja concluída outra etapa da reforma. A MP ainda terá de ser aprovada em até 120 dias pela Câmara e pelo Senado.
Existem grupos que discutem muito os fatos políticos na educação do País e aprovam a MP. Outra corrente alega que foi autoritário colocar em forma de MP o modelo que poderá vir a se transformar em lei, sem um debate mais amplo, para aí sim, se resultar na formulação do texto dessa medida. Quem participou da redação dessa MP foi o núcleo do Ministério da Educação. Mesmo que tenha sido nas melhores intenções, o Brasil, apesar de ter um sistema educacional abertamente falho, conta com educadores de primeira linha que precisariam ser ouvidos neste momento.
Não é de hoje que a educação é colocada (pelo menos na teoria) como prioridade no País. Mas, será que essa reforma educacional é o tema principal para que o Brasil avance neste sentido? Antes de mais nada, é preciso reforçar que a função primordial da educação é preparar os jovens para o mundo em que vivemos, mas, a verdade, é que o ensino médio hoje está parcialmente desconectado com os temas mais graves, não só do Brasil, mas do planeta. Exemplo disso é a crise ambiental sem precedente causados pelo nosso padrão de consumo, hábitos, comportamentos e estilo de vida. E isso não é abordado de forma sistêmica no ensino médio. Resultado disso é uma certa alienação e dispersão de assuntos capitais que não são abordados nas escolas.
Nosso sistema de educação é conteudista e visa somente o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ou seja, o decoreba. Com tantos temas abordados superficialmente, o aluno não consegue absorver o que está estudando. Claro que o Enem tem seus méritos, mas a própria garotada, aquela que faz parte de grêmios estudantis, reclama do sistema. Uma das alegações para baixar a MP foi justamente o fato do ensino médio estar desconectado com a realidade. Resumindo, os alunos não estão antenados com o mundo a partir do que devem estudar para o Enem.
A reforma foi criticada por especialistas e entidades de classe, enquanto é considerada necessária por alguns gestores de fundações e institutos ligados à Educação. O mais importante é que deixemos um pouco de lado as questões políticas e que sistema educacional continue sendo a pauta principal no Brasil, até que se chegue em um ideal.