O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), anunciou ontem que o partido voltou atrás e decidiu ingressar com um mandado de segurança coletivo no Supremo Tribunal Federal, contra a divisão da votação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff anteontem. O instrumento jurídico será assinado também pelo DEM e pelo PPS e deve ser apresentado hoje.
Anteontem, os senadores dividiram a votação do julgamento de Dilma em duas partes. Na primeira, condenaram a presidente por crime de responsabilidade à perda do mandato. Na segunda, rejeitaram a sanção de perda da função pública por oito anos, permitindo que Dilma volte a atuar no setor público, inclusive como gestora, se for o caso.
Para os senadores tucanos, a segunda decisão do Senado não poderia ter sido aprovada, uma vez que a sanção de perda da função pública faz parte da condenação no impeachment. No entanto, segundo Cunha Lima, o PSDB e o DEM tinham entendido que a vitória maior tinha sido conquistada com o afastamento definitivo de Dilma e tinham decidido não questionar a segunda votação no STF.
Ontem, no entanto, os senadores mudaram de posição depois que o PT acionou a Suprema Corte questionando todo o julgamento e pedindo sua nulidade. Para Cunha Lima, se tornou necessário que o questionamento apenas à segunda parte da votação seja apresentado, para que o Judiciário possa apreciar essa questão separadamente e não corra o risco de anular tudo.
O líder tucano também não escondeu o desconforto do PSDB com o protagonismo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no movimento para livrar Dilma da sanção de perda da função pública. Para ele, "ficou claro" que um acordo foi feito "às escondidas", sem que os senadores tucanos tivessem conhecimento.
Na opinião de Cunha Lima, Renan desequilibrou o julgamento quando fez um encaminhamento inesperado a favor da ex-presidente na segunda votação. Para ele, o PSDB foi surpreendido negativamente pelo PMDB.
Cunha Lima espera que, o presidente Michel Temer trate do assunto com seus colegas de partido.