Felizmente, os tempos na política estão mudando. Não de agora, é verdade, as alterações vêm surgindo há alguns anos, mas ultimamente os resultados estão aparecendo. Toma-se como exemplos o impeachment de Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República e a cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara dos Deputados.
Em seguida, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta a ser o alvo das atenções, depois que os responsáveis pela força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato o chamaram de "comandante máximo do esquema de corrupção" investigado na Petrobras.
Ontem, durante evento em São Paulo, o líder petista reagiu: "Provem uma corrupção minha, que eu irei a pé para ser preso". Apesar do discurso inflamado já batido para arrancar aplausos de correligionários e instigar a justificativa de perseguição política, ele não se aprofundou nas denúncias de que é acusado e deu mostras de que acusou o golpe. Mas essas mudanças também ocorrem em outros níveis do Poder Público e influenciam nos rumos dos municípios, principalmente em um ano de eleições como este.
O momento atual mostra o quanto o Poder Judiciário e os órgãos de fiscalização, como os Tribunais de Contas e o Ministério Público, aprimoraram sua capacidade de atuação, fazendo com que haja cada vez menos espaço para irregularidades, malfeitos e corrupção. Por outro lado, também evidencia que tipo de político a sociedade já está saturada e cansada de ver.
Aqui no Alto Tietê há vários exemplos inequívocos. Nada mais nada menos do que os cinco últimos prefeitos de quatro cidades não conseguiram se candidatar nestas eleições por algum tipo de impedimento na Justiça envolvendo atos praticados quando estavam no poder ou porque são alvos de investigação: Jorge Abissamra (PSB) e Acir Filló (sem partido), em Ferraz de Vasconcelos; Marcelo Candido (sem partido), em Suzano; Genésio Severino da Silva (SD), em Arujá; e Armando Tavares Filho (PR), o Armando da Farmácia, em Itaquaquecetuba. Isso sem contar Francisco Pereira de Sousa (SD), o Testinha, que teve o mandato cassado pela Câmara de Poá em 2014.
O que se espera é que não só o Judiciário e os órgãos de fiscalização continuem atuando com eficácia como também os eleitores reflitam mais naqueles que escolhem para ser seus representantes nas prefeituras e nas Câmaras. Os tempos são outros para os agentes públicos e devem ser também para aqueles que têm um papel fundamental: o de exercer o poder de voto com consciência.