O Brasil conquistou ontem sua primeira medalha na Paralimpíada com Odair Santos, na prova de 500 metros do atletismo. A modalidade, por sinal, é candidata a garantir vários lugares no pódio durante os Jogos do Rio e terá papel fundamental para o bom desempenho do País na classificação geral.
E muitas outras ainda irão pintar o quadro de medalhas da delegação nacional, como já é de costume. Inclusive, são esperadas medalhas de paratletas do Alto Tietê. Apenas no Sesi Suzano, 12 competidores estão no Rio de Janeiro. De Mogi das Cruzes teremos Rodrigo Mello, líbero da seleção brasileira de vôlei sentado, além do bicampeão de bocha adaptada, Dirceu Pinto, o campeão Maciel Santos e o estreante Guilherme Germano, além de representantes em outras modalidades.
Mas se as Olimpíadas já têm um papel importante em mostrar como o esporte pode mudar o rumo da vida de muitas pessoas, as Paralimpíadas têm um foco ainda maior no quadro de socialização dos envolvidos. Por isso, mais importante do que assistir as disputas paralímpicas é ouvir essas pessoas. Em Ferraz, o jogador paralímpico de vôlei sentado Renato Leite realizou palestras antes de embarcar para o Rio, com o objetivo de estimular os profissionais da educação a promoverem atividades diferenciadas dentro da sala de aula, garantindo um melhor atendimento aos alunos com deficiência. Quando essas pessoas ganham vozes conseguimos perceber que a superação de um paratleta vai além dos exaustivos treinamentos. Uma cadeira de rodas, por exemplo, não basta a um deficiente. Diariamente ele precisa enfrentar as dificuldades de cidades sem acessibilidade. É preciso oferecer mais condições a esse público. Oportunidades para isso existem, o que falta é acreditar em projetos e colocá-los em prática.
Pense em um deficiente que queira acompanhar a Paralimpíada. É comum que pessoas com limitações físicas estudem bem a questão de acessibilidade do local de destino. E, muitas vezes, o plano de conhecer um lugar novo e até acompanhar um grande evento é interrompido pela falta de acessibilidade.
Se por um lado o Rio de Janeiro será, até o próximo dia 18, a sede mundial da Paralimpíada, por outro deixa a desejar no quesito mobilidade e acessibilidade, assim como muitas cidades do Brasil. Que os Jogos Paralímpicos consigam mostrar a importância de se fazer boas projeções não só no quadro de medalhas, mas também para melhores condições no dia a dia de todos os deficientes do País.