Demorou, mas acabou! O processo de cassação do ex-presidente da Câmara dos Deputados Educardo Cunha (PMDB-RJ) terminou após quase um ano. E com ele se encerra um período político que causou muitos problemas ao Brasil. Agora, não temos mais do que se queixar: nem Dilma Rousseff (PT) nem Cunha estão no poder. O serviço foi feito e mostrou que, realmente, quem manda no País é o povo, que exerce sua força diretamente ou por meio de representantes eleitos, nos termos da Constituição (parágrafo único do artigo 1º).
Os dois personagens cassados realizaram uma das maiores disputas da história política do País. No mesmo momento em que o Brasil se afundava em uma crise econômica (no meio do ano passado), Dilma e Cunha iniciaram uma batalha, em que no final os dois saíram perdendo, porém o Brasil saiu ganhando. A incompetência da petista em organizar e fazer aliados e a esperteza maldosa do peemedebista em articular tudo a seu favor estavam causando um mal enorme à política nacional, que dependia das atitudes incoerentes dessas duas figuras.
Agora, o que esperamos é um presidente da Câmara mais racional, com bom senso e espírito de equipe para comandar o Legislativo, sem agir em função de vantagens próprias ou somente partidárias. Do presidente da República, Michel Temer (PMDB), podemos esperar um governo com maior capacidade de aprovar medidas na Câmara, com mais apoio dos empresários e uma administração em um cenário melhor do que o de 2014 ou 2015.
Para se ter uma ideia, uma pesquisa da Fecomércio de São Paulo já apontou para um aumento de confiança e otimismo dos empresários depois que o processo de impeachment chegou ao fim. Talvez esse índice aumente mais agora que Eduardo Cunha também está fora da política. O cenário mudou sim, para melhor, quem causava problemas saiu e deu lugar a políticos capacitados, com história de bons trabalhos prestados e que, pelo menos na teoria, têm todas as possibilidades de ajudar o País a sair da crise.
Enquanto alguns grupos falam ainda em golpe, o que qualquer pessoa sensata consegue perceber é que o povo não aceita mais governantes sem capacidade. O voto de confiança sempre será dado, mas, se preciso, a Constituição Federal permite que a democracia seja feita e políticos percam seus mandatos. Para continuar no cargo é preciso mostrar trabalho. É assim em qualquer lugar, setor ou empresa. Cunha e Dilma se tornaram o melhor exemplo de como não agir na política.