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Mais de 33% da população brasileira consideram a vítima culpada pelo estupro. O dado consta de pesquisa feita pela Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Divulgado ontem, o levantamento mostra ainda que 42% dos homens e 32% das mulheres entrevistados concordam com a seguinte afirmação: "mulheres que se dão ao respeito não são estupradas", enquanto 63% das mulheres discordam.
"O percentual dos que concordam não varia entre homens e mulheres (30%), o que significa que, para um terço dos brasileiros, a mulher que é agredida sexualmente é, de alguma forma, culpada pela agressão sofrida se opta por usar certas peças de roupa", diz o levantamento. De acordo com a pesquisa, os graus de concordância variaram em função da idade e escolaridade. Os grupos que mais se afastam da média são as pessoas com 60 anos ou mais, com 49% de discordância e, as pessoas com ensino superior, em que a discordância chegou a 82%.
O levantamento mostra também que 65% da população tem medo de sofrer violência sexual. "O percentual cresce quando desagregamos o dado por sexo, já que 85% das mulheres brasileiras afirmam ter medo ante 46% dos homens". A Datafolha fez 3.625 entrevistas com pessoas a partir de 16 anos de idade, em 217 municípios. A coleta de dados foi feita entre os dias 1 e 5 de agosto deste ano. A margem de erro é 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Machismo
Rafael Alcadipani, integrante do FBSP, destacou a culpabilização da vítima e o grau de proximidade dos agressores entre os dados mais alarmantes. "A culpabilização da vítima é muito séria. Esse estudo mostra a prevalência da cultura machista na sociedade, de que a mulher tem que andar sempre de determinada forma, quando sabemos que a maior parte da violência acontece por pessoas próximas à vítima, o pai, o marido, o tio, o primo", disse.
Para o especialista, romper com a cultura machista exige que o respeito à mulher comece dentro de casa. Alcadipani destacou a importância de educar meninos e meninas com os mesmos direitos e deveres em casa e de discutir o tema do machismo e da violência também nas salas de aula. Outro dado da mesma pesquisa aponta que 91% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que "Temos que ensinar meninos a não estuprar".