Os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro chegaram ao fim e deixaram uma sensação de dever cumprido. Primeiro porque sua realização beirava o pessimismo antes de começar, da mesma forma como ocorreu com a sua "co-irmã" Olimpíada. Depois por causa do desempenho dos paratletas brasileiros.
No final, foram 72 medalhas conquistadas, 14 só de ouro. Embora a meta do Comitê Paralímpico Brasileiro fosse a de que o País ficasse entre os cinco primeiros colocados no quadro, este foi o melhor resultado do País em uma Paralimpíada, o que rendeu o oitavo lugar, à frente de Itália, França, Canadá e Japão, por exemplo.
Foi com a realização dos Jogos aqui dentro que milhões de pessoas passaram a ter conhecimento sobre algo que nem imaginavam. Atletas teoricamente limitados por algum tipo de deficiência se superando ao máximo e alcançando a excelência de suas performances. Sem dúvida, ficou uma lição para todos. E tudo isso ainda foi coroado pela Cerimônia de Encerramento, que representou toda a disposição e a capacidade do brasileiro em organizar e disputar o evento.
Não se discute mais que este pode ser um meio para pessoas com deficiência se dedicarem e darem um novo tom e um novo rumo a suas vidas. Isso já é fato e estimulará, sem dúvida, muitas outras pessoas a escolherem um caminho que talvez nunca tivessem cogitado. E é fato também que o Brasil se mostra uma potência paralímpica. Conquistar 72 medalhas é um feito e tanto: quase 4 vezes mais que o número obtido nos Jogos Olímpicos (19). Algumas delas de atletas do Alto Tietê. O mogiano Dirceu Pinto era favorito a ganhar o tricampeonato na bocha, mas conseguiu faturar a prata como reserva dos irmãos Eliseu e Marcelo dos Santos nas duplas BC 4. A suzanense Evelyn de Oliveira foi surpreendente e levou o ouro nas duplas mistas da classe BC 3, também da bocha, com Antonio Leme. Seis atletas do vôlei sentado feminino e dois do goalball masculino de Suzano e Mogi conquistaram o bronze. Ou seja, a região poderia se dedicar e investir ainda mais nas modalidades paralímpicas. Em Mogi há o Centro do Paradesporto, onde Dirceu Pinto treina. Em Suzano, Evelyn é atleta do Serviço Social da Indústria (Sesi). É fundamental descobrir novos atletas e paratletas.
Olhar o esporte com mais atenção é dar oportunidades para as pessoas desenvolverem seus potenciais, estimular práticas saudáveis e incentivar a qualidade de vida. É um legado e tanto que o Poder Público não pode ignorar.