"Chamei aqui de servidores das leis aqueles que ordinariamente são chamados de governantes, não por amor a novas denominações, mas porque sustento que desta qualidade dependa sobretudo a salvação ou a ruina da cidade. De fato, onde a lei está submetida aos governantes e privada de autoridade, vejo pronta a ruína da cidade; onde, ao contrário, a lei é senhora dos governantes e os governantes seus escravos, vejo a salvação da cidade e a acumulação nela de todos os bens que os deuses costumam dar às cidades" - belo pensamento, intensamente verdadeiro, como se pode constatar no sucesso governamental e social em certos países do mundo (poucos infelizmente...).
O autor desta frase destacada foi Platão, o grande filósofo grego, que acertadamente apontava o resultado certeiro que governantes e a própria sociedade podem obter da observância da lei.
Não se trata de um ode a filosofias, aliás nem sempre destas advém o melhor resultado, mas sim de uma diretriz à própria sustentabilidade de uma nação soberana. Pois bem, se alguém postula um lugar como governante, seja no Executivo, Legislativo ou até mesmo no Judiciário - já que até mesmo este último tem nobres deveres no tripé governamental - deve sempre se lembrar que até mesmo a liberdade de decidir dos titulares de cargos superiores, não é plena senão circunscrita aos limites da lei.
Aqueles, portanto que almejam os caminhos políticos, não podem desdenhar da subordinação à lei (ainda que esta seja fruto também da política), pois acima da legalidade não poderão jamais se postar, sendo que os que melhor se conduziram até hoje na política, sempre refletiram seu sucesso no conjugar da observância da lei aliada ao bom senso.
Caminhamos rumo a um novo ciclo de escolhas daqueles que governarão nosso dia-a-dia local, por meio das eleições vindouras, lembrando que o município é o lugar onde vivemos, o torrão real de nossa vida e trabalho, pelo que devemos, por dever de cidadania, saber escolher responsavelmente aqueles que mostrem efetiva capacidade para saber administrar e legislar com conhecimento legal, pois é bom lembrar que a colheita é sempre resultado do que plantamos e somos nós mesmos que plantamos.