Novamente, as pessoas que dependem dos serviços nas agências bancárias estão à mercê de uma paralisação a partir de hoje e por tempo indeterminado. E ainda que haja alternativas para driblar os prejuízos causados pela greve, principalmente o internet banking, sempre tem gente que não sabe do protesto ou mesmo que precisava ir pessoalmente ao banco naquele dia.
O direito à manifestação e à greve é garantido pela Constituição. Em tempos de efervescência social e política isso é mais do que conhecido e debatido. No entanto, os cidadãos não aguentam mais tais situações. Os bancários protestam reivindicando melhorias, mas o sentimento de revolta surge nas demais pessoas porque elas estão cansadas de um serviço que muitas vezes deixa a desejar, especialmente no que diz respeito à demora no atendimento.
Quem nunca perdeu muito tempo num banco? Se as pessoas estão lá na agência é porque precisam, não porque querem. A maioria não tem a mesma possibilidade de sair por aí fazendo greve, até mesmo porque a situação está ruim para todos. E aí acabam prejudicadas pela pressão que a categoria faz sobre seus patrões, justamente aqueles que mais lucram neste País.
No caso das paralisações, o que a população tem a ver com isso? Aliás, é ela quem paga os salários e os reajustes que são reivindicados de muitos bancários, mais especificamente daqueles que atuam nos bancos públicos. Neste caso a situação é ainda pior, pois são os contribuintes que garantem seus sustentos e são os primeiros a serem lesados com as greves.
É claro que ninguém é contra que determinada categoria lute pelos seus direitos, conquiste suas reivindicações. Mas, por outro lado, trata-se de um serviço de utilidade pública praticamente. As pessoas querem ir ao banco e não apenas ser atendidas, mas bem atendidas e com os problemas que têm para resolver lá solucionados.
Se você atrasa uma dívida com o banco, aquela agência não terá a menor compaixão de entender seus argumentos e justificativas. Vai cobrar juros e multa. Mas se o banco, que é mantido pelo correntista, faltar em algum momento, ainda que a despeito de sua vontade, por causa de uma paralisação causada pelos trabalhadores do local, não há dúvida que nada ocorrerá e você não terá a quem recorrer.
É algo tão egoísta como a forma com que muitos banqueiros tratam os lucros. Nesse ponto, infelizmente, ambos os lados se tornam semelhantes.