Diz o ditado que o diabo mora nos detalhes. No dia a dia dos donos de pequenos negócios não é diferente: escorregar nos detalhes pode ser muito prejudicial para a sua empresa. Dias atrás ouvi duas histórias que ilustram bem como o cuidado com coisas aparentemente insignificantes pode influenciar um negócio - para o bem e para o mal.
Um consultor aqui do Sebrae-SP descobriu um novo restaurante por quilo, bom e barato, bem próximo ao nosso prédio. Foi algumas vezes e se entusiasmou tanto com a novidade que chamou os colegas de setor para irem também conhecer. No local, depois de passar o prato pela balança, percebeu que havia se esquecido de colocar azeite na salada. Perguntou ao funcionário onde estavam os temperos e a resposta foi seca: "Se for colocar azeite vai ter de pesar o prato de novo". Ao argumentar que o peso de algumas gotas de azeite não faria diferença alguma no valor, ouviu do funcionário que ele só estava "cumprindo ordens". Desnecessário dizer o quanto aquela situação foi constrangedora e desestimulou futuras visitas.
Por outro lado, fazer o cliente voltar não exige muito mais que um bom atendimento. Dias atrás, em um domingo de sol, um amigo foi com os filhos a um parque aqui em São Paulo. Após o passeio, pararam em uma barraca de água de coco para matar a sede, mas antes de fazer o pedido o pai percebeu que não tinha dinheiro nenhum na carteira, apenas cartões - uma situação muito comum nos dias de hoje. O vendedor nem o deixou cancelar o pedido, deu a garrafinha de água de coco gelada na mão dele e disse: "Na próxima você paga". Depois desse dia, a parada na barraca se tornou obrigatória para a família.
Acho possível tirarmos muitas lições dessas duas simples e curtas histórias que recebemos no Sebrae. A primeira delas é: vale a pena ser intransigente no balcão do meu negócio? Eu acredito que não. No caso do restaurante, a falta de preparo do funcionário espantou não só um cliente que estava se tornando fiel mas também os seus colegas.