O combate à violência contra a mulher é uma bandeira que deve ser defendida por todos os cidadãos. Na quarta-feira passada, uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública trouxe dados alarmantes sobre a visão que a sociedade tem sobre as mulheres agredidas sexualmente. Mais de 33% dos entrevistados concordam com frases como "mulheres que se dão ao respeito não são estupradas", ou pior, "mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada". Serão estes os parâmetros adequados para avaliar um crime de estupro, ou seja, as vítimas são culpadas, ao invés do agressor? Será que cabe uma avaliação semelhante para adolescentes que sofrem violência sexual, como os casos noticiados recentemente pelos jornais do Grupo Mogi News?
É preciso responsabilizar os verdadeiros culpados, aqueles que se aproveitam da proximidade - muitas vezes amigos próximos de familiares - e da inocência da vítima, como ocorre muitas vezes com crianças e adolescentes, para consumar o abuso e repeti-lo mediante ameaças à vítima e à sua família. Ou ainda, os criminosos que espreitam mulheres sozinhas pelas ruas, indiferentes a como elas estão vestidas, uma roupa mais ou menos ousada, não importa. Dia ou noite, também não tem feito diferença. Eles apenas enxergam nestas mulheres objetos para satisfazer seus instintos.
E este inimigo, muitas vezes oculto, aumenta o medo e a insegurança em transitar sozinhas pelas ruas. Neste sentido, mais um número interessante do levantamento: 65% dos entrevistados têm medo de sofrer violência sexual. Levando em conta apenas as mulheres, o percentual salta para 85%. E, são elas as principais vítimas.
Os dados indicam que ainda há muitos desafios para as mulheres, apesar dos avanços conquistados nos últimos anos. Muitas trabalham fora, são responsáveis pelo sustento de suas famílias, estão atentas aos seus direitos e deveres, mas, não se sentem totalmente seguras. Seja no trajeto para a casa, o trabalho ou um passeio, o risco parece estar sempre presente.
E depois do abuso? Ainda há a culpa imposta pela sociedade, como bem destaca o levantamento, e pior ainda, o descaso de certas autoridades, como a divulgação recente sobre o promotor de Justiça Theodoro Alexandre da Silva Silveira, que humilhou uma vítima de 14 anos, durante uma audiência judicial. A adolescente sofreu abuso do próprio pai e foi autorizada pela Justiça a realizar um aborto. O tema é complexo, e requer um esforço de todos para que os verdadeiros culpados sejam responsabilizados por seus crimes.