Em razão da Lava Jato, parece que no País tudo se tornou permitido.
O juiz, tido como equilibrado, parcimonioso, fonte de segurança, toma feições de temível e implacável acusador.
Assim, diferentemente do que acontecia no passado, quando, aquele que era tido como infrator deveria prestar contas à Justiça, volta e meia, se lê nos jornais que se defrontará com o magistrado Moro.
Tal a notoriedade alcançada pelo Torquemada moderno, que, em absurda inversão de papéis, se chega ao ápice de colocá-lo em patamar superior à Máxima Corte Recursal, eis que os ministros seriam venais, e, ele justo paladino.
Sequiosa por "castigos exemplares" aos vermes que surrupiaram o erário, a sociedade ingressa em vertiginoso processo punitivo sem ao que parece compreender os desdobramentos de seus atos.
Na semana que passou, síntese do poder sem conta que leva à falta de sensibilidade, em cumprimento a mandado de prisão temporária, tirou-se do lado da esposa enferma e pronta a ser operada, "bandido violento", "perigosíssimo", "digno de força bruta para subjuga-lo": o antigo Ministro da Fazenda.
A motivação da decretação da punição antecipada, seríssima: declaração de ex-bilionário (ou estelionatário?), de que cedera ao senhor Mantega, quantia em dinheiro para ser aplicada em partido político.
Não se discute se o fez ou não. Em caso positivo, que se use dos meios processuais cabíveis e se o puna no momento adequado.
Lastrear-se tão somente em fala solta no bojo dos autos, principalmente ao vocacionado ao sacerdócio da magistratura, se mostra totalmente inadmissível.
Embora isso, medidas que tais - quando não as advindas de ilegal "segregação por condução coercitiva" - têm sido comuns.
Necessário que se pense, porém, que, aplaudidas no âmbito da operação, não se restringirão a ela, e sim, se alcançarão a todos os que se submetam ao Judiciário.
Comedimento na euforia e conscientização sobre as afrontas que, na aplicação de discutível justiça, se estão fazendo à lei, para que não se lamente depois, são necessários agora!