O assassinato do ex-prefeito e candidato à Prefeitura de Itumbiara (GO) José Gomes da Rocha (PTB), o Zé Gomes, durante uma carreata que realizava com diversos políticos e atiradores foi um verdadeiro atentado contra a democracia, contra toda a população brasileira.
Justamente na semana que antecede um dos momentos mais importantes e especiais de um cidadão, que é escolher os seus representantes no Poder Público, fica uma sensação ruim de impotência. Além de ter sido algo terrível, que culminou em outras duas mortes, poderia ter se tornado um massacre, caso o autor do ataque tivesse recarregado sua arma e voltado a atirar.
Em um episódio como esse não se leva em consideração se o político era bom ou não, se era alvo de denúncias e acusações. O fato é que estava com candidatura registrada e poderia ser votado pelo eleitorado do município goiano. O atentado privou muitos de uma escolha que poderiam fazer.
As razões que levaram o servidor público Gilberto Ferreira do Amaral, de 53 anos, ainda estão sendo investigadas pela Polícia Civil e pelo governo do Estado de Goiás. Ainda que o autor tivesse alguma rusga com Zé Gomes, que foi prefeito de Itumbiara, e movido ação contra a prefeitura, nada justifica algo assim: tirar a vida de pessoas e ainda, por tabela, balançar a democracia. O vice-governador José Eliton (PSDB) também foi atingido durante o ato político, mas sobreviveu e está internado, bem como um advogado do governo local e um policial militar que fazia a segurança na hora e que acabou morrendo.
O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, lamentaram o ocorrido, classificado como deplorável, em todos os aspectos, mas evidenciaram a preocupação que têm em relação aos riscos que este direito constitucional e democrático das eleições corre.
E o número de assassinatos de candidatos assusta, chegando a duas dezenas ao longo dos últimos nove meses. Só no Rio de Janeiro foram 16 mortes registradas recentemente. "Nós estamos em contato estreito com o Ministério da Justiça e também já pedimos que a Polícia Federal atue na investigação desses episódios que repercutem e podem afetar o pleito eleitoral", disse Gilmar Mendes.
Cabe às autoridades agir e ao cidadão fazer a sua parte, se colocando contra a atentados assim e cumprindo seu dever e o seu direito de voto, independentemente da escolha. Não é a tiro que se decide o futuro da coletividade, mas a democracia.