Ainda falta muito para que o Brasil se torne um país verdadeiramente democrático. Os períodos de governos autoritários presentes em nossa história recente impediram a consolidação da nossa democracia.
São muitos os aspectos que servem para a sustentação de tal tese. A persistente e ultrajante desigualdade social que herdamos do período colonial e que foi intensificada durante a nossa vida republicana, a parca participação social nos espaços das decisões políticas e econômicas, a fragilidade do estado de direito e a concentração de empresas de comunicação nas mãos de poucas famílias são alguns deles.
Alguns dados são bastantes ilustrativos na comprovação da fragilidade das nossas instituições. Menos de 13% dos brasileiros acreditam que o estado garante a efetividade da lei e da ordem. Apesar da credibilidade internacional conquistado pelo nosso sistema eleitoral, mais de 85% da nossa população não acreditam que as eleições realizadas no Brasil sejam limpas. Não chega a 11% aqueles que acreditam que haja proteção da justiça aos mais humildes em relação aos mais poderosos.
É verdade que o Brasil tem convivido com eleições periódicas e pluripartidárias e isso é uma característica comum a todas as grandes democracias. Mas apenas isso não é suficiente. Sabemos muito bem como a quase totalidade das campanhas foram financiadas nas últimas décadas. Um grande volume de recursos (muitas vezes ilícitos) de empresas privadas que garantiam muitos privilégios durante os mandatos dos eleitos.
A participação política do brasileiro tem se resumido ao voto (até porque o mesmo ainda é obrigatório) e a presença de parte da população em algumas manifestações. O eleitor não costuma fiscalizar a conduta daquele que ele ajudou a se eleger.
O processo de escolha do candidato no momento da eleição também não costuma ser muito criterioso. Basta prestar um pouco de atenção nas campanhas que estão em curso para a eleição do próximo domingo. As promessas feitas aos montes requerem recursos que não existem.
Assim, os candidatos, conhecedores que são do comportamento do eleitor e orientados por seus marqueteiros, prometem aquilo que eles bem sabem que não vão entregar.