Formalmente, a instituição da escravidão no Brasil não mais existe desde 1888. Em 13 de maio daquele ano foi assinada a lei que oficialmente encerrava um longo e tenebroso ciclo de uma história que nos acompanhou durante grande parte da nossa colonização.
No entanto, tal prática ressurge em diversos países. São mulheres e meninas capturadas para serem oferecidas como escravas domésticas ou aliciadas pelo tráfico de mulheres para a prostituição forçada.
Não há mais compra e venda de pessoas em praça pública como antes. O que caracteriza essa nova modalidade é o fato das pessoas exercerem uma atividade contra a sua vontade, sob ameaça, violência física e psicológica ou outras formas de intimidações.
No Brasil, o trabalho escravo ou degradante tem sido muito explorado em atividades econômicas no meio rural. Mas ele ocorre também nos grandes centros urbanos. Não tem sido raro denúncias envolvendo grandes marcas de roupas que compram confecções produzidas por pessoas que trabalham em condições deploráveis, incluindo contratações ilegais, trabalho infantil, jornadas de até 16 horas diárias, além do cerceamento de liberdade.
Por vezes esse tipo de exploração atinge trabalhadores de países vizinhos que, por se encontrarem em condição irregular em nosso País, sequer podem denunciar o grau de exploração a que são submetidos. Esta situação é antiga e intensa na região que envolve os bairros do Pari e do Brás, onde estão instaladas centenas de indústrias de confecção. Apesar de ser de conhecimento público, o manto da impunidade garante a permanência desses abutres da pior espécie.
Felizmente, com o uso das novas mídias, situações assim são divulgadas. Em pouco tempo as redes sociais são invadidas com mensagens indignadas denunciando as marcas envolvidas, o que rapidamente se transforma em prejuízos para os controladores das marcas.
Se as instituições não estão funcionando como deveriam, a sociedade deve buscar mecanismos para punir quem tem se beneficiado do crime para lucrar. Quem compra de quem se beneficia do trabalho escravo ajuda a financiá-lo.