A febre do game para aparelhos móveis "Pokémon Go" tem causado preocupação para várias pessoas, não só por tornar, de certa forma, pedestres "alienados" com os perigos do trânsito e da criminalidade, mas também pela possibilidade de vigilância por parte de alguma agência espiã ou órgãos de inteligência ligados a setores governamentais americanos.
Não é de hoje a desconfiança, divulgada amplamente na Internet, de que os usuários de aplicativos como o WhatsApp e da rede social Facebook, poderiam coletar informações e monitorar conversas gravadas em seus bancos de dados, apesar do grupo que os administra garantir que isso não é possível devido à política de privacidade e dos modernos sistemas de criptografia. Não raro, por esses motivos, a Justiça brasileira se viu, várias vezes, expedindo ordens para o bloqueio temporário do WhatsApp, alegando que foram descumpridas determinações judiciais que exigiam a quebra do sigilo de investigados por delitos como o tráfico, que aproveitariam essa "cobertura" para articular ações criminosas.
Certo é que como o Pokémon Go é jogado online e se utiliza do GPS, existe, de fato, a probabilidade de que não só espiões profissionais possam saber por onde andam as pessoas ou como são as instalações de bancos ou indústrias, como também ladrões ou sequestradores usem dessa ferramenta para surpreender os desavisados. Neste contexto, o jogo constitui um risco para crianças e adolescentes mais ingênuos, vidrados apenas em capturar Pokémons, ignorando que podem encontrar, a qualquer momento, um assaltante ou desafeto a poucos metros de casa.
Se por um lado o programa constitui um passatempo até para os marmanjos e um avanço na tecnologia dos jogos e que pode auxiliar, inclusive, a localizar alguém perdido na sua famigerada caça aos bichinhos virtuais (bem mais evoluídos que o antigo Tamagotchi e o mais recente Pow, que também prendiam a atenção dos gamers), por outro, o Pokémon Go pode transformar crianças em adultos viciados em jogos. E não é difícil lembrar como davam trabalho aos pais os jovens que gastavam, sem parar, nas casas de fliperama e, até hoje, os que não conseguem parar de procurar os bingos clandestinos. Sem dúvida, uma preocupação a mais para a nova geração, que ainda corre o risco de se acostumar com relacionamentos superficiais, tornando-se cada vez mais introvertidos em seus "Pokémundos".
No entanto, se bem dosado e não jogado por horas a fio, qualquer jogo pode ser uma distração saudável e sem interferências nocivas na vida cotidiana das pessoas. Enfim, tudo vai do bom senso.