Com a proximidade das eleições e os prazos para registro de candidaturas e da propaganda correndo contra o tempo, é natural que o assunto domine, cada vez mais, o noticiário. Há quem deteste o tema e há também aqueles que gostam de discuti-lo e acabam se contagiando com o clima eleitoral, muitas vezes, até se envolvendo diretamente nas campanhas a favor de seus candidatos. De qualquer maneira, um fato é inegável: tudo ao nosso redor é política.
Fazemos política diariamente, mesmo sem perceber, no sentido mais amplo da palavra. No trabalho, quando negociamos ações produtivas em reuniões; na escola, quando acordamos a função de cada um dentro de um grupo; na vizinhança, quando nos dispomos a colaborar com os vizinhos na manutenção do bairro (vide o termo "política da boa vizinhança"); nos conselhos de associações aos quais, eventualmente, fazemos parte e até no ambiente familiar, quando nos deparamos com situações em que precisamos ser flexíveis para entrarmos em um consenso. E assim funciona a engrenagem social.
Segundo a definição de política nos dicionários, o termo refere-se não somente à atuação de agremiações dispostas a gerenciar municípios, Estados ou países, mas também ao modo de agir em determinadas ocasiões, a fim de se obter o que deseja. No livro "Política para não ser idiota", de Renato Janine Ribeiro e Mario Sergio Cortella, é abordado este fio condutor que une direitos, deveres, democracia, liberdades individuais e coletivas, que sempre permearam a construção de uma sociedade. Afinal, de que adiantaria ser livre, sem direitos assegurados e limites a serem respeitados? Basta lembrar o que diz aquela antiga frase que "o nosso direito termina onde começa o do outro".
Imagine-se, por exemplo, em um sistema onde reina a desordem e o desrespeito a quaisquer normas sociais. Quem gostaria de viver em um núcleo sem direito à propriedade, onde a qualquer momento um bem seu, conquistado à base de muito suor, poderia ser tomado à força por alguém que sequer lutou para ter aquele benefício? Em uma sociedade sem regras isso seria perfeitamente possível. E quem faz as leis, se não os representantes do povo? Pois é para isso que serve fazer política.
A questão é acertar na escolha daqueles que podem compreender nossos anseios e nos ajudar a lutar pelas nossas conquistas. E só quem não tem um sonho ou objetivo, principalmente o de viver em uma sociedade melhor e alicerçar um futuro próspero para as próximas gerações, não se preocupa com isto. Lembremos, pois, dessas questões, no dia 2 de outubro.