A crise econômica do Brasil já passou pela sua pior fase. Até mesmo porque não teria como continuar como estava. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que a quantidade de demissões em julho deste ano foi menor do que o registrado no mesmo mês do ano passado. Os números não são positivos ainda, mas já são melhores que os de 2015.
A situação deve melhorar quando terminar o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff (PT), que teve início anteontem. Por enquanto, empresários ainda esperam o desfecho em Brasília para saber como agir nos próximos meses. Com isso, quem conseguiu se segurar durante os últimos dois anos poderá ter, enfim, algum prêmio no ano que vem.
Mesmo com o fim da crise, o brasileiro deve se acostumar a viver com a contenção de gastos e a investir cada vez mais em sua carreira. Tempos de vacas gordas não devem chegar tão cedo e, por isso, o trabalhador que pretende manter seu emprego precisa se qualificar. A tendência é de que cada vez mais empresas diminuam seus quadros de funcionários e mantenham profissionais capacitados para dar conta do trabalho. O menos é mais neste momento para as empresas.
Anteontem, a fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo aceitou pagar R$ 100 mil para cada funcionário que se demitir voluntariamente. O acordo agradou trabalhadores e sindicatos, um final menos trágico para um momento delicado da economia. Mesmo saindo com uma boa "bolada', a questão é "para onde vão esses trabalhadores?" ou "onde vão conseguir um novo emprego?".
A grande realidade é que alguns tipos de empregos vão acabar. Aquele cargo em que o profissional não tem grande esforço, seja físico ou mental, será sempre o primeiro a ser extinguido do mercado. Profissionais diplomados já encontram dificuldade de entrar no mercado de trabalho há alguns anos, mesmo com pós-graduação e outras experiências comprovadas. A tendência mesmo é de um mercado cada vez menor e disputado.
Porém, não é o fim do mundo. Como sempre, novas formas de trabalho surgem nas crises, seja o autônomo ou serviços realizados no mundo virtual. A crise pode ser comparada a uma forte tempestade. Uma hora ela passa e leva embora muita coisa, renovando o cenário. As demissões estão diminuindo, não porque a crise acabou, mas porque não há onde tirar mais vagas. A tendência é uma retomada lenta e que em 2017 já possamos viver momentos bem melhores do que dos últimos dois anos.