Infelizmente, estamos aprendendo a conviver de forma muito natural com a pirataria. É pertinente ao conceito tudo o que é reproduzido, distribuído e vendido de forma ilegal, provocando grandes prejuízos à economia do País.
Mercadorias como calçados, roupas, óculos, brinquedos, perfumes, relógios, livros, peças automobilísticas e, principalmente, cigarros, bebidas, cds e dvds são produtos geralmente pirateados com o financiamento de máfias estrangeiras no País. Esses produtos são atrativos pelo baixo custo, aproximadamente 90% mais barato do que os oferecidos no mercado formal. No entanto, essa prática causa ao País um prejuízo de mais de 30 bilhões de reais por ano.
Além da perda de arrecadação, a pirataria ainda gera desemprego, promove a concorrência desleal e alimenta o crime organizado, fortalecendo-o. Quando o problema da pirataria chega aos medicamentos, além de todos os problemas já citados existe também um elevado risco para a saúde.
Pesquisas feitas com a população indicam que a maioria dos brasileiros reconhece os malefícios da pirataria. Eles têm consciência de que comprar produtos falsificados prejudica o fabricante ou artista, alimenta a sonegação de impostos e o crime organizado, além de agravar o problema do desemprego. Isto significa dizer que, em diversas situações, as pessoas transgridem as regras por uma vantagem imediata, mesmo que isso se volte contra ela no médio ou longo prazo.
Comumente tal prática é atribuída aos que pertencem aos segmentos C, D e E da sociedade. Mas não é bem assim. Pesquisa encomendada no passado recente pela Fecomércio-RJ mostrou que existe uma intensa adesão das classes A e B ao referido comércio. Quase 60% dos integrantes desses segmentos afirmaram ter comprado produtos falsificados. E este é um segmento para o qual o valor do produto original não deve representar uma importante barreira para seu consumo.
A pesquisa apontou também que 43% dos entrevistados das classes A e B afirmaram não comprar mercadorias falsificadas. Isso poderia indicar que nem tudo está perdido. No entanto, o que motiva esse comportamento não é a questão ética. É apenas uma questão de qualidade ruim dos produtos (para 53%) e a falta de garantia (para 24%).