Caminhava com alegria pela manhã, quando um carro parou do meu lado e da janela do passageiro minha amiga gritou: "Quer uma carona?" Expressei um sorriso de reprovação, continuei caminhando e o carro se foi. Eu sei que partiu dela uma gozação, mas serve de lição quando vemos um mundo apressado que gosta de encurtar distâncias.
As metas da vida estão contagiando o nosso tempo de lazer e de atividade lúdica - fazer mais em menos tempo com melhores resultados. O desejo do caminho mais curto para as nossas realizações nos faz ganhar tempo, porém, perdemos o sabor. A reta sem curvas perde a beleza. Malhação e esporte radical são desafios extenuantes que beiram os limites possíveis do corpo humano.
Nos Jogos Olímpicos Rio 2016 nos emociona ver o que parece ser impossível se tornar realidade através da ginástica rítmica. Alguém pode praticar por prazer a natação, enquanto outro pratica como atleta, visando a disputa em competições esportivas. Sem disputar podemos apreciar melhor, em nossos passeios e andanças, a beleza refrescante e perfumada da mata e da paisagem que ela ajuda enfeitar.
Renato Teixeira com sua música "Estrada do Canindé" nos brinda com essa letra que é pura poesia: "Ai, ai, que bom/ Que bom, que bom que é/ Uma estrada e uma cabocla/ Uma gente andando a pé./ Ai, ai, que bom / Que bom, que bom que é/ Uma estrada e a lua branca/ No sertão de Canindé./ Automóve lá nem se sabe/ Se é homem ou se é muié/ Quem é rico anda em burrico/ Quem é pobre anda a pé./ Mas o pobre vê na estrada/ O orvaio beijando as flor/ Vê de perto o galo campina/ Que quando canta muda de cor/ Vai moiando os pé nos riacho/ Que água fresca, nosso Senhor!/ Vai oiando, coisa a granel/ Coisas que pra mode ver/ O cristão tem que andar a pé". Diz minha mulher que a alegria da viagem começa quando saímos da garagem. O homem pós-moderno em seu veículo de alta velocidade e ansioso por chegar não enche os olhos com a beleza natural da paisagem que se estende ao longo da estrada.