A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, sem dúvida, foi surpreendente. Chamou a atenção dos brasileiros e do mundo todo. Não apenas pela beleza e pela maneira como todo o roteiro se desenrolou, mas também pelo conteúdo exposto.
Nunca antes o evento que marca o início oficial de uma Olimpíada foi carregado de tanto engajamento, abordando questões como a necessidade de cada um olhar mais atentamente para a preservação do meio ambiente e também causas sociais, em especial direito das minorias e respeito às diferenças.
As imagens da cerimônia de sexta-feira ficarão na memória. Entre tantos pontos altos, o principal talvez tenha sido o acendimento da Pira Olímpica pelo ex-atleta Vanderlei Cordeiro de Lima, bronze na prova da maratona em Atenas 2004 e detentor da Medalha Barão Pierre de Cobertin, concedida a ele pelo espírito esportivo demonstrado após ter sido atrapalhado durante o percurso pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan, o que custou o primeiro lugar inédito ao Brasil na disputa mais emblemática da Olimpíada, mas que lhe rendeu a reverência do mundo por ter continuado e terminado na terceira colocação e comemorando. Não à toa foi escolhido pela organização como a última pessoa a carregar a Tocha Olímpica até o momento derradeiro no lugar de Pelé, o atleta do século, que não compareceu por motivos de saúde.
Eis que depois de ter aparecido de maneira egoísta ao custo da glória de um atleta, o ex-padre, excomungado, voltou a tentar causar polêmica. Em carta encaminhada ao canal ESPN Brasil, Horan disse que seu "sangue ferveu" ao testemunhar Vanderlei Cordeiro de Lima acendendo a pira, alegando que ele só estava lá por sua causa. E, entre tantos outros impropérios, ainda chegou a exigir um pedido de desculpas do ex-maratonista por ter sido chamado de "fanático religioso".
Não que o indigitado mereça atenção, mas ele mostra mais uma vez egoísmo. A ele só restam o desprezo e o silêncio do esquecimento. Vanderlei Cordeiro de Lima poderia ter reagido da maneira mais raivosa pelo o que ocorreu 12 anos atrás que ainda teria todo o direito. Mas ao contrário do ex-padre, não foi dessa forma. Apenas o ignorou.
E Horan se engana. O ex-maratonista, certamente, seria sim escolhido, pois se não fosse por ele teríamos um campeão da maratona, um motivo e tanto para ser eleito. O sangue de milhões de brasileiros também ferveu. Mas não vale mais a pena. O herói foi criado, nada mais o apaga. E o ex-religioso evidencia mais um defeito capital: a inveja.