Na era da promoção pela saúde, estabelecimentos de todos os setores tentam se enquadrar na tendência atual para não perder sua fatia de mercado. E o ramo de games não ficou de fora. Em 2006, a empresa Nintendo já mostrava essa preocupação com o lançamento do Nintendo Wii, um videogame diferente dos habituais, que necessita do esforço físico dos jogadores. Ele até causou um frisson no início, mas não vingou como o esperado. Ele serviu de esboço para a novidade lançada recentemente, que pode se transformar em uma revolução cultural e influenciar não só o segmento dos games, como servir de ferramenta de marketing para estabelecimentos de diversas áreas: o Pokémon Go.
Lançado na noite de quarta-feira no Brasil, o jogo de realidade aumentada já virou febre em todo o País. Basta andar atento pelas ruas que será possível ver crianças e marmanjos caçando os "bichinhos" virtuais, com os olhos vidrados no celular.
Na ensolarada manhã de ontem, no Parque Centenário, em Mogi das Cruzes, pelo menos 30 pessoas "zumbizavam", de cabeça baixa, olhando fixamente para o celular, em busca dos desejados Pokémons. O jogo é disponibilizado gratuitamente para iPhone e Android. Usando o GPS do aparelho celular, o objetivo do game é capturar esses "monstrinhos" espalhados por todo canto.
Parece surreal, mas essa é a febre atual entre milhares de gamers do mundo todo. E justamente pelo seu sucesso inicial, é preciso ficar atento. Como o jogador tem que prestar atenção na tela do celular, é fácil se distrair e as chances de que um acidente ou furto aconteçam por causa dessas distrações aumentam. Não é à toa que nos Estado Unidos policiais alertam para uma série de assaltos à mão armada por ladrões que atraíram os jogadores para áreas afastadas. Até o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) já faz alertas para os jogadores, a fim de diminuir as chances de acidentes.
Mas apesar dos cuidados a serem tomados, muitas empresas já vislumbram uma oportunidade de negócio. Em Caruaru, no agreste de Pernambuco, um estudante de medicina já oferece carona nas ruas para a caça aos Pokémons. Lojas nos Estados Unidos e Europa viraram Pokéstops (locais de abastecimento), como uma forma de atrair mais clientes. O turismo também já começou a se aproveitar da oportunidade, se transformando em pontos de batalhas entre usuários.
O tempo dirá se a nova maneira de jogar ao celular é apenas uma moda passageira ou se é uma verdadeira revolução cultural.