Algumas medidas criadas para evitar um caos maior, durante épocas de crise, acabam ensinando o que todos deveriam saber. Foi assim com a crise da água, no ano passado. O povo foi obrigado a economizar e a aprender o valor de se conscientizar sobre a contenção do consumo.
A edição de ontem publicou reportagem que mostra a economia gerada no Alto Tietê no primeiro semestre deste ano. Mesmo sem o programa de bônus da Sabesp, que dava descontos para quem consumisse menos, as pessoas mantiveram uma média boa e, no geral, a região diminuiu 1% em relação ao mesmo período ano passado.
Ou seja, muita gente continuou com os bons hábitos de consumo consciente. Em Biritiba Mirim e Salesópolis, a economia foi maior ainda de um ano para o outro, o que mostra que as famílias se educaram e aprenderam o valor do uso com bom senso. A redução nessas duas cidades foi de 12%. O lado negativo ficou com Mogi das Cruzes, que, ao contrário da maioria, aumentou o consumo em 7%.
Algumas medidas tomadas no ano passado para evitar os gastos em excesso se tornaram hábitos. Por exemplo, aquelas pessoas que ficavam horas lavando o carro nas ruas durante os finais de semana. Não se vê mais isso. Lavar a louça e deixar a torneira aberta também não é mais fato comum. Sempre tem alguém para falar para fechar a torneira. Banhos demorados? Esse luxo não é bem visto. Pequenos detalhes que fazem a diferença e mostram a capacidade do ser humano de evoluir e se adaptar a sua realidade.
Apesar disso, governos e empresas responsáveis pelo abastecimento nas cidades continuam com um enorme problema para o futuro. É preciso continuar planejamento e criando melhores formas para levar água de qualidade ao povo.
Se num futuro próximo tivermos esses dois itens andando juntos, teremos encontrado a melhor solução para um problema. Uma ótima estrutura de abastecimento sustentável com a conscientização e o bom senso das pessoas. Seria perfeito. Os consumidores, pelo menos, parecem ter dado o primeiro passo.
Esses são exemplos de que alguns remédios amargos causam efeitos. Seria muito melhor ensinar tais métodos desde a infância e, com isso, evitar medidas drásticas.
A crise econômica tem feito o mesmo com a gente. Estamos aprendendo a dar valor a coisas que antes não dávamos. Como dizem alguns sábios, ou você aprende pelo amor ou vai aprender pela dor. A escolha é só sua.