Mogi das Cruzes recebeu o jornalista Arnaldo Jabor para uma palestra sobre o cenário político e econômico. Ele expôs o sistema político brasileiro, falido desde que herdamos o modelo português baseado no patrimonialismo. É aquele em que pessoas assumem o poder, massacram a população com impostos e fazem o diabo com as riquezas do País. Educação, saúde, segurança, infraestrutura etc. que se lasquem. Aliás, que se lasque o povo! Esta é a tônica do mantra ainda não silenciado.
Como contemporâneos, eu e Jabor vivemos períodos idênticos. O Brasil sofre as mazelas do colonialismo, paternalismo e patrimonialismo. Não importa se o regime é ditatorial ou democrático, a meta dos espertalhões é adotar estratégias para o enriquecimento pessoal ou do seu grupo. Para eles, quanto pior for o nível da educação, melhor.
Concordo com Jabor quando ele destaca dois presidentes que atuaram como estadistas. Um foi Itamar Franco que teve o mérito de nomear Fernando Henrique Cardoso (FHC) ministro da Fazenda, coordenador do Plano Real. O outro foi o próprio FHC que estabeleceu as bases para o desenvolvimento sustentável. Este avanço seria sepultado pelos seus sucessores.
Na gestão de FHC, surgiu a Lei de Responsabilidade Fiscal, que colocou os governos sob austera vigilância para o cumprimento do equilíbrio orçamentário, fiscal e financeiro. Também merece destaque o desempenho da sua esposa, a socióloga Ruth Cardoso, na implantação de programas de verdadeira promoção social.
Nas palavras de Jabor, a eleição de Lula foi o pior desastre político do século. Recordista da corrupção, ao lado da sua corriola, Lula se aproveitou da baixa condição socioeducativa do povo para gastar o dinheiro que o País não tinha em ações clientelistas. Longe dos holofotes, inchou a máquina e zerou os cofres públicos. Mestre na arte de criar e vender ilusões, Lula elegeu centenas de postes como prefeitos, muitos governadores e até a presidente Dilma Rousseff. Esta, reeleita e na mira da cassação por malfeitos.
A avassaladora multicrises nacional deve servir para sepultar o modelo de demagogia e corrupção. Assim como Jabor, estou otimista. Não vejo o interino Michel Temer como solução. Entretanto, é a chance de começar a reverter o quadro atual.
Contudo, o único motor capaz de mover a retomada do crescimento econômico-social é o povo. Mais do que nunca, precisa recuperar a Nação que lhe pertence. Tem de ficar imune ao canto das sereias e dispensar a idolatria. Tem de fiscalizar, protestar, lutar contra a corrupção e os desmandos. Vamos todos resgatar o País. O momento é agora! Valeu a palestra, Jabor!