Consideradas as diversas intenções, os múltiplos interesses, o ser humano precisa negociar, recuar um pouco, avançar às vezes e buscar um ponto de equilíbrio para que sejam atendidos, se não plenamente, pelo menos em medida suficiente, os anseios das partes e, especialmente, da maioria. Há que se destacar que esses deveriam ser legítimos, com limites, mas nem sempre são. No entanto, há desejos que são verdadeiras necessidades e é justamente nesta dimensão que a maior parte do povo tem se manifestado: temos desejos, mas, mais que isto, necessidades básicas e urgentes.
Acredito que um governo não pode se distanciar desse conhecimento e, sem dúvida, essa é uma importante posição para o atual comando, ainda provisório, e que carrega sobre os seus ombros um peso imenso, acumulado por anos. Indiscutivelmente, o diálogo é imprescindível.
Todas as entidades representativas têm que ser ouvidas e ouvir respostas para seus pleitos, mesmo que não sejam as que esperam, mas que, ao serem ouvidas, possa haver avaliação profunda do caso e a resposta adequada.
Nesta semana, quando o presidente do Brasil recebeu grupos de empresários e entidades de segmentos muito afetados pela economia, identificamos que há uma disposição clara de dialogar, a despeito de todas as dificuldades, de toda a falta de recursos no orçamento e da conjuntura que evidencia um custo maior que a receita, com a diferença aumentando. Como neste país as ações do governo são muito representativas e impactantes no mercado, o alto comando indica, claramente, que sabe da necessidade de agir rápido.
O início de qualquer medida ou estratégia, decerto, passa pelo diálogo e, neste sentido, confesso que fiquei mais esperançoso ao identificar, claramente, a disposição de uma equipe de gestão, que não só está aberta ao diálogo, como, também, transmite uma impressão contundente de compreensão e competência.
O tempo dirá, mas já é um bom começo!