Conduzir a Chama Olímpica, um dos símbolos das Olimpíadas, traz sentimentos diferentes, quando não confusos. No início, você se acha um predestinado por ser um dos escolhidos. A primeira impressão que vem à mente é a de que a sua história de vida é merecedora de tamanha honra. Ledo engano, pois a simbologia da chama é imensurável, senão mitológica, já que relembra a lenda de Prometeu que teria roubado o fogo de Zeus para o entregar aos mortais.
Do dia em que fui escolhido até a condução pela cidade de Mogi das Cruzes, por diversas vezes, pude perceber a sua grandeza, pois bastava observar ao meu redor para encontrar alguém que seja tão merecedor quanto eu para conduzi-la, ou até superior.
Senti-me literalmente pequeno perto dela. E é nesse momento que os sentimentos se confundem, pois, suas vaidades são testadas. Seria muito nobre ter a coragem de entregar a tocha a alguém que você acredita ser o verdadeiro merecedor, mas é uma decisão tão subjetiva que a pessoa a quem você possa intitular como predestinada pode achar que deveria ser entregue a outro.
Não há dúvidas de que a Chama Olímpica possui um significado maior do que presentear pessoas para conduzi-la. Em cada cidade por onde passa ela traz sentimentos diversos, transmite mensagens diferentes ao seu povo. No Brasil tivemos sentimentos de revolta, indignação, com a recente notícia de corrupção que assolou/assola o nosso país. Por outro lado, por inúmeras vezes, tivemos sentimentos de alegria e esperança.
Penso que cabe a cada indivíduo escolher o seu caminho. Eu escolhi o caminho da alegria e da esperança, quando conduzi a tocha (e sempre escolherei), pois acredito que um sorriso, um abraço ou um aperto de mão podem mudar o mundo. Parece utopia, mas não é, pois, a nossa nação é o espelho das nossas atitudes; portanto, a nossa missão é transformar pessoas com condutas positivas.
Quero ter orgulho de olhar ao meu redor, encontrá-lo, e vê-lo me fazer sentir pequeno literalmente. Que você seja o verdadeiro condutor da Chama Olímpica na vida.