Ao invés de escrever uma carta de renúncia, a presidente afastada Dilma Rousseff, escreveu uma carta aos brasileiros reforçando a tese de estar sofrendo um golpe. Levou a carta ao Senado. Disse que vai se defender pessoalmente.
No mesmo dia, foi dada a autorização de abertura de inquérito para apuração de eventual crime de obstrução de Justiça contra ela, dois ministros e o ex-presidente Lula.
Parece que Dilma é a única pessoa que não enxerga o que está acontecendo e o que vai acontecer. Em vez de se retirar de cena, prefere continuar sangrando até o fim, e o pior: faz sangrar ainda mais o já desgastado PT, atrapalhando um pouco mais os rumos das eleições municipais.
Pelo menos o País tem prazo para o fim dessa novela, dia 31 de agosto de 2016. Se for confirmado o impedimento de Dilma, ela entrará para história e o Brasil poderá seguir seu rumo. Talvez a grande surpresa fosse a de que, ao fazer uso da palavra a que faz jus perante o Senado, renuncie ao seu mandato em rede nacional, vitimizando-se, martirizando-se e sendo vista e ouvida por todo o País, gerando, quem sabe, um sentimento de compaixão.
Seria um grande serviço ao seu partido e evitaria o vexame de seu impedimento votado de forma legítima pelo Senado, num processo dirigido pelo próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o que assegura a observância de todas as garantias legais e constitucionais.
Com o fim dos Jogos Olímpicos, as atenções serão exclusivas para o processo de impedimento e os movimentos populares tomarão as ruas mais uma vez. Chegamos ao fim de um ciclo e viveremos outro, de transição, mas não de incerteza. O Brasil e o mundo saberão quem é o presidente definitivo até o final do mandato em 2018 e poderá se programar.
O fim da instabilidade política proporcionará a aceleração da estabilidade econômica que já demonstrou sinais positivos nesse segundo semestre. Como Dilma já havia profetizado: "se" perder é carta fora do baralho.