O advogado da defesa da presidente afastada Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, afirmou que a petista está sendo afastada "sem que o povo que a elegeu tenha entendido minimamente o crime que tenha praticado". Durante o quinto dia de julgamento pelo Senado, ontem, Cardozo, em uma hora e meia, insistiu na falta de provas sobre a prática de qualquer crime e afirmou que Dilma é honesta. 
"Me dói, não como advogado, mas como ser humano. Não é justo falar o que falaram aqui de Dilma Rousseff. Querem condenar, condenem, mas não enxovalhem a reputação de uma mulher digna", pediu.
Segundo ele, bastava Dilma "cheirar" algo errado que ela "ia na jugular dos seus ministros", o que lhe conferiu adjetivos como autoritária e dura. "Mulheres que são corretas são duras", afirmou.
Reforçando as alegações usadas pela presidente afastada e os mesmos pontos que vem apresentando, ao longo do processo de impeachment, Cardozo ressaltou que as acusações contra Dilma são confusas e, no fundo, não passam de pretextos. "A maior parte da população brasileira não saberá quais foram as reais acusações. São pretextos. Pretextos irrelevantes", afirmou.
Segundo ele, os partidos favoráveis ao impeachment estão afastando a petista por ela ser "uma mulher que incomoda", e que todo o trabalho de desestabilização de seu governo começou a partir da sua reeleição.
"Talvez daqui a um tempo ninguém mais lembre das acusações dirigidas a Dilma. Porque ela ousou ganhar uma eleição afrontando interesses dos que queriam comandar o País", afirmou.
Cardozo disse ainda que o trabalho para desestabilizar o governo dela começou no minuto seguinte em que Dilma ganhou as eleições presidenciais, em 2014.
Até pouco antes das 17h30 de ontem, 17 parlamentares falaram sobre suas convicções sobre o crime de responsabilidade atribuído à presidente. Como 66 senadores se inscreveram para discursar foi anunciado que o resultado da votação sairá hoje.