Para chegar bem a uma Olimpíada é preciso muitos anos de investimento e planejamento. Mais do que isso, é preciso enxergar o esporte como uma ferramenta transformadora da sociedade. A partir daí é que se começa a selecionar e lapidar os atletas voltados ao alto rendimento. E, por incrível que pareça, a missão menos importante do esporte é levar atletas para competições. O fundamental sempre foi utilizá-lo para ajudar a transformar uma sociedade.
Países como Estados Unidos, China, Rússia, Austrália e Japão têm planos de governo que incentivam a prática esportiva desde a infância. Os que não chegam a disputar uma Olimpíada, ainda assim, contam histórias maravilhosas de como o esporte foi importante para a formação de seu caráter. E são esses países que geralmente lideram o ranking de medalhas olímpicas.
Já pelas bandas do País do Futebol, geralmente dependemos dos "atletas fenômenos" que remam contra a maré, e buscam na marra conquistas quase milagrosas. Foi assim com a ginasta Daiane dos Santos, que mesmo tendo uma infância difícil, começou tarde na carreira de atleta e conseguiu grande destaque, incluindo um título mundial. Ou com o nadador Gustavo Borges, detentor de quatro medalhas olímpicas, que para transformar o sonho em realidade se mudou para os Estados Unidos, graças ao incentivo financeiro dos pais, e teve toda sua formação como atleta feita fora do Brasil.
Temos na região um exemplo claro de que quando há incentivo os resultados aparecem. O Mogi Basquete voltou ao cenário estadual e nacional em 2011 e, em pouco tempo, já alcançou uma grande projeção em todo o País. Os títulos ainda não vieram, mas, certamente, o time está no caminho certo. Há uma preocupação em divulgar o município como a "cidade que respira basquete", além da realização de clínicas esportivas que aproximam as crianças dos atletas profissionais, entre muitas outras ações. Isso significa acreditar que o esporte pode mudar a vida das pessoas, sejam elas voltadas ao alto rendimento ou não.
Se os problemas fundamentais do nosso País, como educação, saúde e segurança, fossem solucionados, poderíamos começar a pensar em um investimento maior na área esportiva e aproximar as crianças dessas atividades, com a certeza de que, se não se tornarem atletas profissionais, carregariam a filosofia da cidadania, humildade e respeito pelo resto de suas vidas. Infelizmente, por enquanto, ainda vibramos apenas com os "atletas fenômenos", que contra tudo e quase todos, alcançam o sonho olímpico.