Quase dez meses depois, o processo de impeachment do mandato da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), enfim, entra em sua reta final. De tão desgastante, frequente e maçante, o assunto fez com que muita gente nem quisesse mais ouvir ou discutir a respeito, seja de um lado ou de outro. O fato é que o julgamento daquilo que é sustentado como crime de responsabilidade praticado pela petista estava previsto que ocorresse.
Os trâmites tão longos criaram a sensação de que o Congresso Nacional não chegaria a nenhum fim e que o tema iria arrefecer. O desenrolar do processo mostrou o contrário e após grande parte das etapas já cumpridas, principalmente a da Câmara Federal, com a aprovação do prosseguimento, chegamos ao derradeiro momento, que deverá culminar na votação dos senadores na próxima semana.
À presidente coube direito à ampla defesa, inclusive nesta fase, em que poderá, e vai, expor seus argumentos no Senado. Resta saber se mesmo na sessão de julgamento da Casa conduzida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, Dilma voltará a usar a palavra "golpe" para justificar tudo o que está acontecendo com ela. Ou seja, vai colocar em xeque a avaliação e o embasamento da Corte Suprema do Brasil de que a legalidade está imperando em todo o processo.
Ontem, o procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) Júlio Marcelo de Oliveira afirmou no Senado que a presidente afastada violou a Lei de Responsabilidade Fiscal ao autorizar abertura de créditos orçamentários suplementares sem autorização do Congresso Nacional. Sem contar que os decretos precisavam ser compatíveis com a meta fiscal em vigor, o que também não foi observado. Ele era apenas informante, não mais testemunha de acusação, a pedido da defesa de Dilma, mas reforça tudo aquilo que já se sabe e já foi ouvido nos últimos meses.
Por outro lado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em ato realizado ontem na porta de um estaleiro em Niterói (RJ), disse que "está começando a semana da vergonha nacional" com o julgamento no Senado. Afirmou aos trabalhadores locais que o "único erro de Dilma foi ser honesta".
Será mesmo? Deixando de lado qualquer partidarismo ou posicionamento cego de lado, será, realmente, só isso mesmo? É difícil acreditar. Aliás, parece que os defensores chegaram a um momento em que eles acreditam forçadamente contra tudo o que está posto e argumentado. Mas é assim mesmo. O jeito é negar até o fim. Nada mais.