Ultimamente, a palavra que mais frequenta lugares e toma espaço nas rodas de conversas é a "crise". E vem acompanhada de uma longa análise sobre o momento atual, com teorias e teoremas, dos mais diversos, envolvendo tantas outras crises, com direito a reportar-se diagnósticos críticos dos mais variados.
A crise econômica, a educacional, bem como a da moralidade e a política, entre tantas outras, permeiam os imaginários e os noticiários Mas uma coisa é certa, nunca houve tamanha disseminação de acontecimentos conexos que tecem a trama das crises, em tempo real e simultâneo, despertando sentimentos de amor e ódio, mas também estimulando o raciocínio.
Em tempos de crise há que se repensar o quanto esse agir está relacionado com a liberdade e com a política, bem como proteger da violência a liberdade da boa ação política, que cala a voz de homens e mulheres, em plural.
Portanto, o sentido de agir na política, torna-se latente e necessário, principalmente em tempos de crise, com boa dose de esperança, mas muito de entendimento que, no espaço público da política o exercício da liberdade é essencial.
A filósofa Hannah Arendt que desenvolveu um diagnóstico crítico referente à crise, notadamente a política ("A Política baseia-se na pluralidade dos homens". In O que é política? 2002, pág. 21), afirma que: "o poder corresponde à capacidade humana não somente de agir, mas de agir em comum acordo. O poder nunca é propriedade de um indivíduo; pertence a um grupo e existe somente enquanto o grupo se conserva unido".
Como sempre digo e repito, direitos sociais devem ser conhecidos e exigidos, não mendigados. Afinal somos responsáveis não apenas pelos que estão no mundo hoje, mas pelos que ainda estão por vir, parafraseando Heidegger, de quem Hannah foi pupila especial.
E, para Hannah, ao se perceber na crise da ação política, as diversas crises e possíveis caminhos para recomeçar, pensando e trilhando caminhos novos para revitalizar a ética política.