A Venezuela passa por uma crise sem tamanho e não conta com alternativas para sair dela. Ao contrário de outros países, onde uma oposição forte oferece uma segunda opção para a população, ou ainda regiões democráticas, em que é possível retirar um presidente que não vêm conseguindo administrar o país, a Venezuela não tem opções de mudança. O presidente Nicolás Maduro sequer cogita sair do poder, mesmo com seu povo morrendo de fome nas ruas.
De acordo com informações de jornais venezuelanos, mais de 50 pessoas morreram nos últimos dias devido a confusões que começam com saques a estabelecimentos. Nesta semana, uma menina de apenas 4 anos morreu após uma briga entre saqueadores e proprietários de comércios. A maioria do povo venezuelano tem gastado quase 80% do dinheiro que ganha com comida. Ou seja, a fome assola e muito o país sul-americano.
Uma pergunta básica vem à tona: Por que nenhum outro governo ajuda a Venezuela? Entre tantas respostas, está a de que a gestão socialista de Maduro pode colocar qualquer colaborador momentâneo em um possível "parceiro" e, com isso, ter sua imagem rabiscada no cenário político mundial. O país pede por ajuda, mas nem mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) tem se mostrado sensível à crise venezuelana.
Além destes fatores, há ainda a posição do próprio presidente Nicolás Maduro a incursões de outros países. Ele mudou um pouco este discurso nas últimas semanas, quando chegou a pedir que "não isolem a Venezuela". Mas o pedido, a essa altura do campeonato, soa mais como um discurso para se manter no poder, uma vez que a população deu início nesta semana a um abaixo-assinado para retirá-lo do governo.
Lá, o povo não tem um parlamento capaz de "bater de frente" com o presidente, como ocorre aqui no Brasil. Os venezuelanos apelam para iniciativas básicas e até infantis, como acreditar que um abaixo-assinado sensibilize os políticos e que alguém os ajudará a retirar o presidente do poder. A possibilidade de alterar um cenário político é uma liberdade que eles não conquistaram.
Por aqui, os brasileiros que pediram o impeachment de Dilma Rousseff (PT) começam a se desapontar com o governo de Michel Temer (PMDB), onde há tantos corruptos quanto no governo petista. Porém, nada impede que o povo brasileiro e seus representantes mudem novamente o governo. Para acertar é preciso tentar, mudar, insistir, mas antes de tudo ter a possibilidade da escolha. Nós temos escolha, os venezuelanos, por enquanto, não.