Na paulicéia desvairada policiais atiram em ocupante de veículo furtado e em seguida alcançado.
O fato de o condutor ter morrido, infelizmente, não chamaria a atenção, não fosse ele criança, no auge de seus 10 anos.
Estarrecida, a sociedade, em sua maioria, entoou o jargão tantas vezes repetido: o colosso que resolveram chamar Estado, agoniza, as instituições faliram!
O Estado agoniza, porque permitiu que o garoto fosse fruto de união em que a mãe era ausente - se diz, tendo cumprido pena -, e o pai estava encarcerado.
O Estado agoniza, porque, em instante algum, mesmo diante de situação em que a catástrofe pairava como anunciada, não voltou os seus olhares ao infante, como, aliás, comum em relação a outros que, oriundos de lares também desfeitos, desfilam suas histórias nos leitos das calçadas; aprendem com a ralé criminosa com a qual convivem.
O Estado agoniza, porque permitiu que fossem às ruas policiais despreparados, assustadiços, daqueles que, atiram primeiro para constatar depois, que ainda não se conscientizaram da missão árdua que lhes foi reservada, em que o equilíbrio é fator preponderante.
E, não importa se houve ou não um primeiro tiro! Importa, isto sim, que a situação, ao que enaltecem as manchetes, estava sob controle com a criança presa no carro arrebentado. Ligeiro aguardo, após o necessário cerco, resolveria a questão, vida seria poupada!
Mas, clama a patuléia; "bandido bom é bandido morto", então vamos aos disparos! Desde que se preserve o capital, nesses casos, vale tudo!
Não adianta as verborragias indignadas dos comandantes: houve flagrante despreparo, falha que também os atingem.
A descrença nas instituições se dá, quando o CONSEG (conselho civil da região), sem as investigações terminadas, já dava inteiro apoio aos milicianos.
O bairro, Morumbi. Classe altíssima. O falecido, pária desconhecido. Na defesa de suas riquezas, ficou claro, a truculência policial, ali, é bem vinda!
Pereçam os desviados, mesmo que crianças socialmente malformadas!