O cenário político poderia melhorar com a saída da presidente Dilma Rousseff (PT), mas não é o que está acontecendo. Mais frágil do que a cúpula do PT, que mesmo estando equivocada não assume erros e luta até o fim para se manter no poder, os partidos do governo atual - PMDB, PSDB, entre outros -, não parecem firmes o suficiente para encarar o jogo de intrigas e acusações.
Ontem se tornou público o fato de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP). Ou seja, um bloco inteiro da força do PMDB acusada de crimes e que pode ir para a cadeia.
A ação de Janot surpreende. Primeiro porque, há alguns meses, ele entrou em uma discussão com o PT, ao ser criticado pelo ex-presidente Lula, que o chamou de "ingrato". Na ocasião, Janot respondeu que não devia nada a ninguém, e que se precisa prestar contas a alguém era para sua família, que deu condições para que ele estudasse e se tornasse o profissional que é. Com a decisão anunciada ontem, o procurador demonstra que realmente não tende a nenhum lado e quer mais é ver acusados cumprindo suas penas.
As figuras dessa nova fase política do País têm mudado constantemente. Primeiro, o ex-ministro Joaquim Barbosa era o "Batmam" do Brasil, lutando contra os criminosos e agindo sem piedade dos políticos. Depois, foi a vez de Sérgio Moro cair nas graças do povo, principalmente devido ao seu intenso combate contra a corrupção. Agora, Janot parece querer se tornar herói também, e mostrar que não é aliado de ninguém, apenas da Justiça.
Independentemente se o governo atual precisa de apoio para retomar o crescimento do País, o trabalho da Justiça deve continuar. Com isso, se houver provas de interferência de políticos na Lava Jato ou qualquer outra ação criminosa, a prisão deve ser o lugar certo para levar tais infratores. O presidente Michel Temer (PMDB) não poderia imaginar que o foco da Justiça seriam seus aliados. Ter nomeado ministros envolvidos em irregularidades foi seu primeiro grande erro.
A Justiça brasileira está cada vez mais incisiva e radical. Crime é crime e ponto final. Políticos que não ousem desafiar procuradores, juízes ou ministros. Até que um dos homens da lei esteja envolvido em irregularidades, eles ainda são autoridades máximas e têm o poder de decidir quem merece ou não ser preso.