O aumento do desemprego entre os jovens, a perda de renda e o retrocesso da massa salarial são os destaques da Carta de Conjuntura sobre o mercado de trabalho, divulgada na última sexta-feira, no Rio de Janeiro, pelo Grupo de Conjuntura (Gecon) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Esses são elementos importantes para análise da economia como um todo, disse à Agência Brasil o coordenador do Gecon, José Ronaldo de Castro Souza Júnior.
De acordo com o documento, os jovens na faixa etária de 14 a 24 anos foram os mais afetados pelo desemprego no primeiro trimestre deste ano. Entre esses jovens, o desemprego subiu de 15,25% no quarto trimestre de 2014 para 20,89% no mesmo período de 2015, avançando entre janeiro e março de 2016 para 26,36%. Entre os adultos até 59 anos, o desemprego atingiu 7,91% no acumulado deste ano até março.
Para Souza Júnior, tradicionalmente o desemprego entre os jovens é maior que nas demais faixas etárias. "O aumento dos jovens foi muito pronunciado e está em um nível elevado". Mais de um quarto da população jovem está procurando emprego, mas não encontra, afirmou o economista.
Nem-nem
Segundo ele, o mercado está contratando menos. "Contrata-se menos hoje do que antes. Quem sofre mais com isso são os jovens, que têm mais dificuldade em acessar o mercado de trabalho". Souza Júnior destacou que, em situações de crise, o mercado costuma contratar pouco as pessoas jovens, porque não só desconhece o histórico de trabalho e porque elas têm menos experiência.
O documento mostra que a taxa de ocupação de jovens vem caindo desde 2013. O movimento observado entre os jovens é que estão deixando de ser ocupados para passar à situação de desempregados.No terceiro trimestre de 2012, a taxa atingiu o pico de 44%, caindo para 37% no primeiro trimestre de 2016, enquanto os jovens desocupados, que eram 8% até 2015, subiram para 12,2% este ano. Entre aqueles denominados "nem-nem", que nem estudam, nem trabalham, a taxa permaneceu estável em 13%. (A.B.)