O governo Temer ainda não completou um mês e já aparenta ser um governo velho, muito velho. Depois de assumir interinamente a presidência em função do afastamento de Dilma, o governo de plantão patina com inúmeras denúncias que atingem parte do seu ministério.
Jucá, um de seus mais importantes colaboradores que assumiu a pasta do planejamento foi o primeiro. Logo depois foi a vez do responsável pela pasta da "transparência", Ministro Fabiano Silveira. Fabiano e Jucá foram gravados em conversas nada republicanas pelo Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro.
Quem está na berlinda agora é o Henrique Alves, titular da pasta do Turismo. De acordo com matéria publicada em jornal de grande circulação, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, teria informado ao STF (Supremo Tribunal Federal) que ele atuou para receber recursos desviados da Petrobras em troca de favores para a empreiteira OAS. Segundo a informação parte desses recursos serviram para financiar sua candidatura ao governo do Rio Grande do Sul em 2014. Em nota, o ministro afirmou que todas as doações recebidas 2014 foram registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Aliás, a justificativa utilizada pelo ministro é a mesma que aparece nas notas e declarações de todos aqueles que são acusados do uso de recursos ilegais em campanhas.
Isso sem contar que outros ministro do atual governo também são investigados ou foram citados por delatores da operação lava jato, assim como o próprio Temer e os presidentes da Câmara e do Senado.
Mas para além das questões de ordem mais política que estão desgastando o governo, outro fato começa ser objeto da atenção de analistas e de pesos pesados da economia. Depois de criticar intensamente a falta de controle dos fastos no governo Dilma e sinalizar para o mercado uma política econômica caracterizada pela austeridade, o governo Temer, sem o aval de sua equipe econômica, autorizou os reajustes salariais para diferentes categorias de servidores públicos. Isso ocasionou a primeira divergência entre o Ministério da Fazenda e os articuladores políticos do governo.
Assim constatamos que ainda não existe luz no fim do túnel.