O clima frio está intenso, praticamente congelante, neste final de outono. Ninguém escapa. Se não sair de casa prevenido é capaz de sofrer um bocado. Há quem goste de tempos assim, mas há quem literalmente odeie. De fato, os mais simples afazeres cotidianos ficam difíceis e complicados, como se levantar da cama, lavar a louça e tomar banho.
Reportagem de hoje mostra o resultado das madrugadas geladas. Geada foi inevitável em vários pontos: nos campos, nas plantações e até mesmo sobre os veículos. É um fenômeno causado pela forte massa de ar polar de passagem pelo Sudeste.
Muda a paisagem e a deixa agradável de se contemplar dependendo do lugar. Por outro lado também causa prejuízos aos produtores rurais. As perdas são grandes. Em Mogi das Cruzes, a produção de verduras e legumes chegou a cair 60% nos últimos dias.
No entanto, a paisagem também muda nas vias públicas. E essa mudança causa aflição, angústia e preocupação. Por onde quer que se ande é possível ver pessoas dormindo em praças, nas calçadas, debaixo de marquises e em tantos outros locais públicos.
É difícil não se abalar com essa situação. Imaginar que, embora a maioria das pessoas estejam protegidas do frio em suas casas e agasalhadas, há quem não tenha essa mesma sorte e tem que enfrentar os riscos de se expor a uma friagem tão extrema.
A solidariedade entre os moradores de rua talvez seja uma das formas de conseguirem sobreviver, com um ajudando o outro trocando alimentos, roupas e cobertores. Mas ainda assim as chances de morrerem são grandes. Em Suzano, no mês passado, um homem foi encontrado morto em um ponto de ônibus. Na capital, quatro pessoas morreram de frio nos últimos dias. Os termômetros bateram os menores índices dos últimos 12 anos, chegando até a 0ºC.
Embora a previsão indique que nos próximos dias a temperatura começará a aumentar, aplacando um pouco a sensação insuportável do frio e diminuindo as chances de novas geadas, o inverno nem mesmo começou, o que é possível imaginar que essa situação volte a surgir até agosto ou setembro.
Por esse motivo é importantíssimo, uma questão de humanidade, que o Poder Público intensifique o trabalho de se aproximar das pessoas em situação de rua e convencê-las a irem para abrigos. Uma maneira seria promover parcerias com entidades para garantir novos locais para acolhê-los. É o mínimo que se poderia fazer. Dar oportunidades a elas para que esse período seja o menos aflitivo possível.