A centenária Copa América começou. Dunga fez a lista dos jogadores com quem pretende recuperar o prestígio do futebol brasileiro. Da geração do 7 a 1 (digo, do 1 a 7!) quase nenhum ficou. Mesmo assim, a desconfiança é grande. Cabe torcer.
Uma outra relação apavora a "seleção titular" da política brasileira, pois pode derreter o padrão corrompido que nela vigora há séculos. Trata-se da famosa lista da Odebrecht, ainda a ser oficializada. Nela há um elenco inteiro de figurões da casta do poder. Muitos ganharam, no incrível "Departamento de Propinas" da empreiteira, apelidos que mais parecem vir do mundo da bola: Passivo, Caranguejo, Atleta, Caseiro e Ovo, Drácula, Lindinho e Bruto, Viagra, Nervosinho e Boiadeiro.
O banco de reservas tem outro time completo: Goleiro, Ela, Escritor, Neto e Múmia, Rico, Manso e Grego, Próximus, Italiano e Feioso. Essas e outras denominações, que se refeririam a governadores, ex-governadores, senadores, deputados e prefeitos, não provam nada, é claro. Mas, além de pitorescas, confirmam apelidos como traço cultural nacional, para o bem e para o mal.
Cabe a uma investigação séria apurar o que significa cada registro. E qual a relação entre financiamento partidário, crescimento patrimonial de autoridades públicas e empresa. Dirigentes de empreiteiras estão em tratativas para sua colaboração premiada.
Soou o alarme no universo político tupiniquim. Todos os grandes partidos, acometidos por nanismo ético, e boa parte dos pequenos, de aluguel, estão, em maior ou menor grau, vinculados ao esquema milionário de propinas, facilitação de licitações e "doações" de campanha.
Não há esperança fora de uma reforma radical do nosso sistema político, para que a urgente troca de dirigentes seja de fato caminho de mudança, e não mais do mesmo. Mas essa reforma só acontecerá a partir da mobilização de quem detém a soberania decisória em uma República: o povo, a cidadania. Com a munição do debate e a arma do voto - livre, igualitário, bem informado.