Desde quando a Câmara aprovou o pedido de impeachment, em 17 de abril, o que acompanhamos na mídia foi a presidente Dilma Rousseff (PT) tomando espaço na grade horária para repetir diversas vezes que estava sendo injustiçada, vítima de um suposto golpe. A estratégia não convenceu os parlamentares e ontem ela foi afastada do cargo por até 180 dias. Mas o discurso deve continuar nos próximos seis meses, ainda com possibilidade de ela, posteriormente, voltar ao poder.
O impeachment é dividido em três fases. A primeira já aconteceu, com a aprovação da continuidade do processo na Câmara e no Senado. Agora começa a segunda fase, com as investigações em torno dos motivos de seu afastamento. Só depois é que acontece a terceira e última fase, com o julgamento da presidente, podendo ser retirada do cargo definitivamente ou voltar a comandar o País.
Muitos esperavam o afastamento de Dilma, e isso aconteceu. Mas é inútil imaginar que "apenas" esse traumático processo de impeachment, que ainda está em andamento, irá livrar o Congresso da corrupção, mesmo porque muitos políticos que lá se manterão já estavam no poder durante o mandato da petista. O presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), por exemplo, era aliado de Dilma até poucos meses atrás. Mas agora, do outro lado, ele terá a chance de mostrar ao povo que poderá ser reeleito, caso a saída dela seja confirmada.
O desafio é maior ainda para Temer devido ao pouco tempo que ele terá para colocar o País em ordem e mostrar resultados. Mas se não houver um plano econômico para longo prazo, o Brasil continuará com a ferida aberta. Seu governo terá que ser baseado em resultado, resultado e resultado.
É inegável que o processo de impeachment é drástico, assim como é indiscutível que, ao mesmo tempo, ele traz um pouco de esperança para muitos brasileiros. Por isso, uma das prioridades de Temer terá que ser diminuir o número de desempregados, que hoje chega a 11 milhões. Essa será a difícil missão inicial para começar a conquistar os brasileiros.
Com a economia em frangalhos, o presidente em exercício deverá aproveitar o restante de 2016 para expor tudo de errado que vinha acontecendo no governo Dilma e para tentar colocar "a casa em ordem", para que no ano que vem comece a efetivar algumas tentativas de alavancar a economia.
O certo é que até agora não houve vencedores. O momento é crítico e o futuro segue obscuro. Enquanto isso, o País continua sangrando e parado no tempo.