O governo Temer passou pelo primeiro teste no Congresso Nacional. Após uma sessão conjunta que durou mais de 16 horas, foi aprovada a meta fiscal, um rombo de R$ 170 bilhões.
Isso é um ótimo sinal; não o rombo, mas a aprovação. Revela que o governo provisório tem o necessário apoio legislativo, indispensável para implantação das reformas necessárias para retomada do crescimento.
O ministro Jucá foi sumariamente exonerado após a divulgação de um áudio em que um ex-diretor da Petrobras, antevendo sua condenação no Petrolão, saiu gravando suas conversas como a cúpula do PMDB. As gravações foram seu passaporte para delação premiada.
Temer, muito diferente de Dilma, exonerou o ministro. Dilma fazia o contrário. Depois que o juiz Moro conduziu coercitivamente Lula, ela o nomeou ministro da Casa Civil. Hoje nem Dilma está presidente, nem Lula está ou esteve ministro, o STF não deixou. A causa, nos dois episódios, foi a mesma, uma gravação.
Não há dúvida de que hoje o poder ou a possibilidade de exercê-lo, emana da República de Curitiba, como nominou Lula. É lá onde se define quem fica ou sai do governo. Dilma caiu, Lula nem entrou, Cunha caiu, Jucá caiu, Renan cairá, assim como outros.
A Lava Jato é um tsunami que promove a maior assepsia governamental da história. Moro tornou-se um herói apenas cumprindo o seu papel, autorizando operações de investigação, acolhendo as provas produzidas e condenando os acusados pelo Ministério Público Federal. Essa atuação destemida deve ser um exemplo a ser replicado em todo o Brasil, pois a corrupção, o mal maior da gestão pública, é endêmica. Bom será quando o Ministério Público dos Estados e a Polícia Civil investigarem com a mesma força os governos estaduais e municipais.
Instaura-se no Brasil a cultura da punibilidade, a certeza da punição e de que os agentes públicos que cometem ilicitudes, pelo menos no caso Petrolão, serão condenados, presos e extirpados da vida pública e da administração. A operação Lava Jato, agora em sua 30ª fase, não passou e nem passará.