Cerca de 70 policiais militares (PMs) realizaram ontem uma operação na comunidade São José Operário, na zona oeste do Rio de Janeiro, para buscar suspeitos de terem participado do estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos. Os PMs detiveram uma pessoa e apreenderam drogas. O caso será encaminhado à delegacia local. Segundo a Polícia Militar, policiais de sete batalhões participaram da ação, que teve suporte de um helicóptero e de veículos blindados.
A polícia afirma não ter encontrado resistência de criminosos ao entrar na comunidade, mas, em uma parte mais alta do morro, houve um "breve confronto". De acordo com os militares, ninguém se feriu. A nota enviada à Imprensa pela Polícia Militar destaca ainda que a operação buscou: "identificar os criminosos que praticaram o estupro coletivo contra uma menor de 16 anos, dar maior sensação de segurança a população, prevenção e repressão os crimes de roubo de veículos, roubo de cargas, roubo de rua e o tráfico de drogas".
Na noite de anteontem, a Polícia Civil ouviu depoimentos de pessoas investigadas no caso e também da vítima.
Representação
A advogada da adolescente que denunciou ter sofrido um estupro coletivo no Rio de Janeiro pretende procurar a corregedoria da Polícia Civil para questionar a conduta do delegado Alessandro Thiers, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Eloisa Samy afirma que Thiers conduziu o depoimento da vítima de forma a culpabilizá-la. Outra crítica da advogada foi o fato de que os responsáveis pela divulgação do vídeo e das fotos não tenham sido presos em flagrante.
Em uma entrevista coletiva à Imprensa na tarde de ontem, a Polícia Civil afirmou que a Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos receberia a jovem. Eloisa disse que não tem conhecimento da reunião.
Em resposta à advogada, a Polícia Civil divulgou uma nota em que afirma que a investigação "é conduzida de forma técnica e imparcial" e que convidou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para designar um representante para acompanhá-la.