A realidade mostra que o nosso País permanece como palco de inúmeras monstruosidades. Chacinas, esquemas de corrupção, ações homofóbicas, acidentes provocados por motoristas bêbados, organizações criminosas cada vez mais fortalecidas são coisas que amedrontam as pessoas.
E é do Rio de Janeiro que vem mais uma dessas monstruosidades. O estupro coletivo de uma jovem de 16 anos, mãe de um menino de três, veio à tona no último dia 25 depois que um vídeo em que a adolescente aparece nua, dopada e com marcas de violência se tornou viral na internet. O vídeo foi postado pelos próprios agressores, exibido como se fosse um troféu.
O crime está sendo investigado e o delegado responsável pelas investigações já foi afastado depois de um pedido da defesa da adolescente que o acusava de fazer perguntas constrangedoras e sem relação direta com o caso em questão. Nas redes sociais o caso foi objeto de protestos indignados por muitos, mas também foi compartilhado com comentários machistas odiosos, o que mostra que existe uma parcela da população que endossa essa prática criminosa.
A demora na realização de exames médicos na menina deve atrapalhar o processo de produção de provas contra os autores do crime. No entanto, independente do resultado da investigação o caso já produziu vários elementos que reforçam a tal da cultura do estupro. Como diz o médico Drauzio Varella "...o Brasil tolera e incentiva o estupro a ponto de podermos afirmar que o crime faz parte da nossa cultura. Por meio da culpabilização da vítima, estimulamos que as mulheres estupradas se escondam e acabem protegendo seus algozes." Esse processo de culpabilização da vítima acaba por reduzir a gravidade do ato praticado.
Uma pesquisa publicada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostrou que 26% dos entrevistados acreditam que uma mulher usando roupa que revele o corpo merece ser atacada.
Justamente por isso que figuras como Alexandre Frota relata um suposto estrupo na TV com naturalidade e com a cumplicidade cínica de uma plateia que ri e aplaude. Que sociedade é essa?