O presidente da Argentina, Mauricio Macri, disse estar muito mais preocupado com a Venezuela agora, do que quando assumiu há cinco meses e pediu ao governo de Nicolas Maduro que "abra as portas do diálogo [com a oposição] para que comece um processo de transição". A Venezuela integra o bloco regional Mercosul, junto com o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai.
As declarações de Macri foram feitas nesta última sexta-feira, durante a primeira entrevista coletiva a jornalistas estrangeiros, feita na Quinta de Olivos - a residência presidencial. "Nao sei se a Venezuela está dentro ou fora do Mercosul, porque não cumpriu os acordos que deveria ter cumprido", disse.
Em relação ao Brasil - apesar das reiteradas perguntas feitas - o presidente manteve uma postura de cautela, preferindo elogiar as instituições fortes do país e evitando manifestar-se sobre um eventual afastamento da presidente Dilma Rousseff, e a posse do vice Michel Temer. "Creio que institucionalmente o Brasil vai resolver seus conflitos", disse. 
Em relação à Venezuela -
que enfrenta uma crise econômica, marcada pelo desabastecimento e uma inflação anual de 700% - Macri foi duro. A oposição, que em dezembro conquistou sua primeira vitória em 17 anos, conquistando a maioria parlamentar, deu início a um processo para fazer um referendo revogatório.  Se a votação for feita até dezembro e os oposicionistas obtiverem o apoio de mais de 7,5 milhões de venezuelanos, Maduro será afastado antes do fim de seu mandato (que termina em 2019) e novas eleições serão convocadas.
Macri também falou sobre a Argentina e sua promessa de combater a pobreza. O governo dele acredita que o país precisa de US$ 30 bilhões anuais para crescer e o presidente espera receber pelo menos US$ 20 bilhões ainda este ano.